sábado, 12 de janeiro de 2013

O SÍTIO DO PICAPAU AMARELO...APRESENTA....

Um clássico da literatura e sua fantástica trajetória nos quadrinhos e na TV.

Escrita por Monteiro Lobato entre as décadas de 1920 e 1930, a série de livros infantis do SÍTIO DO PICAPAU AMARELO, chegou à televisão pela primeira vez em 1952 na TV Tupi, com adaptação de uma de nossas maiores escritoras infantis: Tatiana Belinky, acompanhada de seu marido Júlio Gouveia. Grande sucesso, ficou no ar por dez anos. Na década de 1960, retornou mais duas vezes, em adaptações feitas pelas emissoras Cultura e Bandeirantes, porém sem muito sucesso. Porém, a melhor adaptação para a TV, entraria no ar apenas na década seguinte.
E para marcar época. 

Capa do disco com as músicas do programa da TV Globo. Trilha sonora de Dori Caymmi. Ilustrações: Rui de Oliveira.  Somlivre, 1977.

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Foi em 7 de março de 1977, que estreou a sua mais conhecida e aclamada adaptação. A TV Globo se unia a TVE para uma superprodução, com direito a trilha sonora especialmente criada por Dori Caymmi. Nos textos, grandes escritores como Maria Clara Machado, Benedito Ruy Barbosa, Wilson Rocha, Sylvan Paezzo, Marcos Rey e Lucia Machado de Almeida. Tornou-se um clássico, sendo considerado um dos melhores programas infantis da história da tv brasileira. Está no imaginário das pessoas com mais de 40 anos, sem dúvida alguma. Virou parte da infância de muita gente. Simplesmente fantástica e inesquecível. Muitas crianças daquela época foram apresentadas a obra de Lobato através do programa. Mas no tempo em que não existia nem videocassete e nem DVD, quem supria a necessidade de guardar os personagens do programa e suas aventuras, e assim tê-las para sempre, foi mais uma vez, um gibi.

Capa de Ambrósio Dutra Moreira para o número 1 da revista. 1977, Editora RGE.

O Sítio chega aos quadrinhos
Era inevitável a transposição da obra para as hqs. A RGE (editora do Grupo Globo) recebeu a incumbência de adaptar para os quadrinhos os personagens do Sítio e lançá-los junto ao programa de TV.  A editora se preparou meses antes, contratando desenhistas e roteiristas, analisando esboços, ideias, treinando gente. Assim sendo em abril de 1977, um mês após a estreia do programa chegava ás bancas a revista O SÍTIO DO PICAPAU AMARELO, colorida, com 52 páginas e distribuição nacional. Como brinde, um adesivo da Emília. Saiu com tiragem de 120 mil exemplares, esgotados em pouquíssimo tempo, sendo então reimpressos mais 100 mil.
Primeira página do número1. Desenhos de Fernando Bonini com assistência de Gustavo Machado.

A talentosíssima equipe de criação de hqs da RGE, conseguiu traduzir fielmente a atmosfera do programa de TV. Tudo estava lá. A Emília, Narizinho, Pedrinho, Dona Benta e Tia Nastácia tinham alguma semelhança com os atores que os interpretavam. Os cenários e ambientação das histórias eram bem próximos do que víamos na TV. E era isso que encantava os leitores. Ao término de cada  programa, que ia ao ar de segunda a sexta ás17:25, as crianças tinham o gibi para continuar mergulhado no universo de Monteiro Lobato.


Capa de Gustavo Machado para o número 2. 

O sucesso foi tão grande que gerou uma segunda edição.


E tudo saía da prancheta deles
Parecia uma fábrica. E era. Só que fabricava histórias em quadrinhos. O Estúdio de Criação de quadrinhos nacionais da RGE era assim! Cinquenta pranchetas alinhadas como em uma sala de aula, que ocupava um amplo espaço no prédio-sede da editora, na Rua Itapiru, 1209, Rio de Janeiro. De lá saíam as hqs do Sítio e também dos demais títulos da casa, como A Vaca Voadora, por exemplo.
Tendo no início Luiz Felipe Aguiar como diretor responsável e a edição de arte de Ambrósio Dutra Moreira, a revista tinha uma equipe formada por feras do traço, alguns veteranos da casa, outros novatos, contratados para produzir o novo título.
O jovem desenhista Gustavo Machado, nos estúdios da RGE em 1979.

Entre eles estava Gustavo Machado, que acabara de completar 18 anos e após fazer alguns testes começava sua carreira em uma grande editora. Logo tornou-se assistente de Fernando Bonini, um dos melhores desenhistas do cast da RGE. A parceria que somava o talento do mestre Bonini e a garra e determinação de um jovem extremamente competente, resultou em histórias brilhantes, onde não se sabe onde começa o desenho de um ou de outro, tamanha era a cumplicidade artística dos dois.
Gustavo Machado logo passou a desenhar hqs completas, tornando-se então um dos mais prolíficos desenhistas dessa primeira fase.
Assim era o estúdio de quadrinhos da RGE. Á frente, o desenhista Antonino Homobono.

Outra grande estrela da casa era Antonino Homobono. Autodidata, fez parte da equipe original da revista, depois de participar de vários projetos e títulos da RGE. Itamar Gonçalves, também da equipe original, foi outro grande desenhista responsável pela arte nessa primeira fase. Durante algum tempo dividiu-se entre as hqs do Sítio e as da revista A Vaca Voadora, outra produção nacional, uma adaptação para hq dos livros infantis de Edy Lima. A equipe ainda contava com o talento de Murilo Marques Moutinho, Milton Sardella, Sandra Aymoré, Domingos Demasi, entre outros.
Itamar e Murilo Marques Moutinho. RGE, 1979.


A equipe aumenta
Com o passar do tempo, novos artistas passaram a fazer parte da equipe, como Maria Theresa Duarte, Jordi Martinez, Jairo Schmidt. Nos roteiros, o talento de Wilson Aguiar Filho, que depois se tornaria escritor de novelas (fez a belíssima Kananga do Japão para a TV Manchete em 1990) e Luis Antonio Aguiar (hoje consagrado escritor infanto-juvenil) e que também criou muitas histórias para os quadrinhos Disney da Abril.

Lendas, personalidades da História e artistas da época
Os roteiros além de contar as aventuras da turma no Sítio, incuíam lendas, personalidades históricas, artistas da época, em um mix de diversão, conhecimento e entretenimento, tal e qual sua versão televisiva. Nessa primeira fase os leitores puderam apreciar e curtir histórias com a participação do Barão de Munchausen, o ex-presidente do Brasil Juscelino Kubistchek (mesmo em época de fim de ditadura), Horta (presidente do Clube Atlético Fluminense, que vem ao Sítio para contratar um craque e quase contrata o Saci, imaginem só!), Tiradentes, Auguste Rodin, entre outros.
Página da história O Saci de duas pernas, em que a turma do Sítio se transporta para o universo dos quadrinhos com a ajuda do Gibi, personagem que virou sinônimo de revista de hq.
Desenhos de Gustavo Machado. Saiu no número 5, em setembro de 1977.


Revistas de atividades produzidas em São Paulo?
Com o sucesso da título em hq, logo a RGE passou a publicar revistas de atividades. Canastra da Emília, Quebra-Cabeça, Picotinho de Papel, Escolinha de Arte e Invenções da Emília, ao contrário do que muitos pensam, não eram produzidas no Rio, mas sim em São Paulo, em uma operação editorial das mais curiosas que já existiram. A Editora Saraiva, especialista em livros didáticos abrira um núcleo para produzir e publicar quadrinhos e álbuns de figurinhas. Foi exatamente esse núcleo que passou a fazer as revistas de atividades do Sítio. Os profissionais, em sua maioria, tinham larga experiência, pois haviam trabalhado na líder Abril. Nomes como os de Avelino Guedes, Sonia Robatto (uma das criadoras da revista Recreio), José Maria de Oliveira e Mauro Lemos produziam os títulos. Porém divergências entre a diretoria do grupo e o diretor responsável pelo núcleo (que também era sócio da empresa), fez com que o mesmo fosse desativado em pouco tempo. Sonia Robatto reuniu então, boa parte dos profissionais demitidos e continuou produzindo os títulos diretamente para a RGE. As revistas tinham apoio de comerciais de tv e saíam todas as quintas-feiras nas bancas.
Uma das cinco revistas de atividades que eram produzidas em São Paulo.



Segunda fase - 1980
Em agosto de 1979, a revista do Sítio chega ao número 28, o último dessa fase, e a equipe da revista recebe uma notícia que desagradaria a todos. A diretoria da empresa decide reformular os personagens e o estilo gráfico do título. Tal reformulação foi feita por um ilustrador de fora, contratado apenas para isso. Os artistas da casa se sentiram desprestigiados e muitos pediram demissão ou foram trabalhar como free lancer. Só a Grafipar, editora que acabara de surgir em Curitiba publicando hqs nacionais levou três: Fernando Bonini, Gustavo Machado e Itamar Gonçalves.
Concluída a reformulação, surgem as novas revistas. Em outubro de 1979 sai o primeiro número da revista da Emília e no mês seguinte a do Visconde. Também foi lançada a revista do Pedrinho, e até o título principal foi relançado. A nova revista do Sítio, trazendo além de hqs, textos e passatempos, foi lançada em agosto de 1981. Algum tempo depois mudou de nome passando a se chamar Revista do Sítio. Essa segunda fase durou 36 números que circularam nas bancas entre 1981 e 1984.

Capas da nova fase, com a remodelação dos personagens. Início dos anos 1980.




Um longo hiato das bancas e da tv
Com o fim do programa de tv em 1986, o Sítio desapareceu do mercado e toda uma geração acabou tendo pouco contato com ele. Restaram apenas os livros da Editora Brasiliense em edições antigas e já ultrapassadas, inclusive com ilustrações em preto e branco. O contrato firmado entre Monteiro Lobato e a Brasiliense datado de 1945, garantia exclusividade a uma editora que pouco se empenhou em investir em sua obra ao longo dos anos.


Terceira fase: 1997
A mesma série de sucesso produzida pela TV Globo, voltaria ao ar em 1997, apresentada de segunda a sexta as 18 horas pela TV Cultura. Os herdeiros de Monteiro Lobato assinam então um contrato com o desenhista Ely Barbosa, que assim voltava a trabalhar com os personagens do Sítio. Nos anos 1970, ele e Silvio Santos se associaram para produzir um desenho animado de longa metragem, mas o projeto não foi adiante. A ideia agora era explorar comercialmente essa volta à tv, através do lançamento de uma série de novos produtos.
O Estúdio Ely Barbosa realiza uma nova reformulação gráfica, emprestando seu estilo aos personagens, cenários e ambientação do Sítio. Assessorado pelo publicitário Alvaro Gomes (que já havia lançado o personagem Fofão, na década de 1980) e pelo desenhista Roberto Fukue, os produtos começam a aparecer. CD-ROM, Boneca da Emília, jogos e algumas parcerias com empresas, trazem os personagens do Sítio de volta ao mercado. A ideia de uma nova revista em quadrinhos também chegou a ser cogitada. Estudos foram feitos e o projeto foi parar em grandes editoras como a Abril Jovem, porém não foi levado adiante. Logo o programa saiu do ar, e o contrato com a família Lobato foi desfeito.
Em 1997, Ely Barbosa voltava a trabalhar com os personagens de Lobato.

Linha de CD´ROMs do Sítio no traço do Estúdio. 1998.

Apesar do gibi não ter retornado ás bancas, saíram hqs promocionais como essa, em parceria com a Batavo. Desenhos de Roberto Fukue.


Quarta fase: anos 2000

Em julho de 2000, a TV Globo assina novo contrato com a família Lobato e em 12 de outubro de 2001 coloca no ar o primeiro capítulo de uma nova versão do Sítio. Com roteiros de Claudio Lobato, Luciana Sandroni, Toni Brandão, Walcyr Carrasco e mais uma grande equipe, a série introduz elementos do dia-a-dia, para cativar o público mirim. Dona Benta pesquisando na internet, Tia Nastácia cozinhando em forno de microondas, Pedrinho falando ao celular. Era preciso trazer os personagens para o século XXI. Recursos de computação gráfica, efeitos especiais e a participação de grandes atores fez dessa nova incursão na tv, um grande sucesso. A belíssima trilha sonora de Dory Caymmi de 1977, voltava agora nas mãos de artistas contemporâneos, em novas e criativas versões. Ivete Sangalo, Cássia Eller, Lenine e Zeca Pagodinho cantaram as canções do disco antigo que é considerado por muitos, um dos 20 maiores da história da MPB.
Capa do CD da nova versão do programa. SomLivre, 2002. 


Novos desenhos
Para esse retorno, foi realizada uma nova atualização gráfica dos personagens. O estilo de Ely Barbosa foi substituído por outro assinado pela agência Franco Associados, com base na ideia original da escritora Eva Furnari. Porém, quem acabou assinando os model sheets de todos os personagens, foi novamente o desenhista Roberto Fukue. Uma série de novos produtos foi colocada no mercado e não poderia faltar uma revista nas bancas.

Primeira revista da nova fase, lançada em 2002. Editora Globo.

A volta ás bancas...sem quadrinhos
A Editora Globo (antiga RGE) inicialmente não queria publicar quadrinhos do Sítio novamente. Desde a segunda metade da década de 1990, quando cancelou a maioria de seus títulos, entre nacionais e licenciados, ela estava se mantendo apenas com os títulos de Maurício de Sousa. Optou-se então, pelas revistas de atividades e reportagens. Lançou em julho de 2002, a "SÍTIO DO PICAPAU AMARELO, revista da TV". Matérias, entrevista, curiosidades, com imagens dos atores do programa e poucas ilustrações. Depois foram lançadas também várias revistas de atividades. Mas aos poucos os quadrinhos foram voltando, primeiro através de um projeto em conjunto com o Governo Federal.

A Turma do Sítio no Fome Zero
Uma revistinha de 36 páginas comprada nas bancas a 1 real, dava a oportunidade a 6 famílias conhecerem e se beneficiarem do programa Fome Zero, mola mestra do primeiro mandato de Lula, na época Presidente do Brasil. As histórias, de cunho didático mostravam a necessidade de se ter um país sem miséria, a importância da reciclagem do lixo, do não desperdício da água, da limpeza dos rios e cidades. Produzida nos estúdios de Roberto Fukue, com a colaboração de João Anselmo, Marcos Alves, Flávio Bezerra e Fernando Jr, a revista não tinha periodicidade definida e teve um total de 4 edições lançadas.



A volta dos quadrinhos do Sítio, por necessidade...
Maurício de Sousa novamente causa alvoroço no mercado, ao anunciar sua saída da Editora Globo depois de 20 anos na casa. Isso aconteceu em julho de 2006. Sem saber o que fazer para substituí-lo e também dar uma resposta aos assinantes dos gibis da casa, a Globo recorre novamente aos personagens de Lobato, embora já estivesse publicando as criações de Ziraldo desde 2005.
Em novembro de 2006, chegam às bancas as revistas em quadrinhos do SÍTIO com 68 páginas (quinzenais!), CUCA com 36 páginas mensais e VOCÊ SABIA? título educativo que já existia com os personagens do Maurício, também mensal.
A ideia era fazer concorrência aos títulos de Maurício, que passaram a sair pela Editora Panini. Seguindo o mesmo método de trabalho aplicado nos anos 1990, havia na editora uma redação enxuta, que apenas fazia a edição, aprovação de roteiros, revisão e capas das revistas. Toda a parte de criação era feita por estúdios externos. Apenas a colorização era feita dentro da editora, por uma equipe contratada.

Anúncio de lançamento das novas revistas em quadrinhos do Sítio. Novembro de 2006.


...E por necessidade, movimentou o mercado de hqs
Para dar conta de uma grande produção mensal, vários estúdios passaram a produzir hqs para os três títulos. Começou com Rosana Valin (Cor e Imagem), Roberto Fukue e Luis Podavin (Digiclan) e o desenhista Kanton. Em fevereiro de 2007, a revista do SÍTIO torna-se mensal e um novo título chega às bancas: EMÍLIA. Foi aí que muitos artistas e estúdios passaram a colaborar com a editora para suprir a demanda de 4 títulos de hqs em bancas. Eli Leon, Marinho Gomes, Estúdio Zabumba, Fernando Arcon nos desenhos. Eduardo Vetillo retornava aos quadrinhos infantis, assim como Sérgio Morettini (criador do Mico Legal). Nos roteiros, Denise Ortega, Raimundo Guimarães, Roberto Munhoz, Verde, Edde Wagner, Tina Glória, Ruy Jobim, Jorge Barreto, Gustavo Luiz, Julia Spadaccini (atualmente nos roteiros da novela Malhação), Victor Klier. Boa parte das capas eram criação e arte de Sérgio Furlani (Pardal) ex-desenhista Disney da Abril.

Durante pouco mais de um ano, pudemos ver os quadrinhos do Sítio nas bancas novamente.

A revista do Sítio teve no total 17 edições. A da Cuca e Você Sabia saíram das bancas com 14 edições. A revista da Emília teve 11 edições. Em dezembro de 2007 a Editora Globo decide se retirar definitivamente das bancas e cancela todos os seus títulos de hqs. Passaria a trabalhar apenas com albúns em livrarias.

Capa de Paulo Borges para a nova edição de Reinações de Narizinho. Editora Globo, 2007.

A vitória sobre a Editora Brasiliense
Voltando um pouco no tempo, em 1998 a família Lobato entra com um processo judicial contra a Editora Brasiliense. O contrato firmado entre o autor Monteiro Lobato e a Editora datado de 1945, previa a republicação e atualização de suas obras ao longo dos anos o que não aconteceu. Suas últimas edições datavam de 1970!  Sem a reimpressão de suas obras, muitas vezes era preciso recorrer a sebos para achar um título de Lobato e do Sítio.

Em 2006, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) devolve os direitos de publicação à família Lobato que os passa para a Editora Globo. Em 2007, ano em que se comemorou o 125° aniversário de nascimento de Monteiro Lobato, a Globo coloca nas livrarias os primeiros 5 livros infantis do autor, de um total de 31. Com nova edição colorida, revisada, atualizada ortograficamente e com belíssimas ilustrações de Paulo Borges, a obra de Monteiro Lobato voltava às livrarias em grande estilo. Inicialmente ele fora escolhido para ser o único ilustrador de toda a coleção, porém após o nono livro lançado, a editora opta por diversificar os estilos. As edições seguintes já traziam ilustrações assinadas por Osnei, Hector Gomez, Alcy Linares, Fabiana Salomão, Cláudio Martins e Luiz Maia.


Apesar de sua retirada das bancas, os quadrinhos do Sitio continuaram sendo produzidos e editados. Como por exemplo, esse álbum "Os Doze trabalhos de Hércules" da série Monteiro Lobato em quadrinhos. Roteiro de Denise Ortega. Desenhos de Fernando Arcon. Editora Globo.

Em 2011, o Sítio em Desenho Animado
O programa do Sítio saiu do ar em 2007, junto com o cancelamento de suas revistas. Porém em 2011, a Globo decide investir em uma série de animação. Impossível de se pensar nisso, na década de 1970, porém o mercado de animação nacional encontra-se em expansão e encorajou a emissora e a família Lobato a dar sinal verde para iniciar a produção. Assim, em janeiro de 2012, estreou na TV Globo, o SÍTIO DO PICAPAU AMARELO, a série animada. Para produzir a primeira temporada de 26 episódios, a produtora Mixer conseguiu isenção de R$ 3 milhões, através da Lei do Audiovisual. No total a série custou R$ 4 milhões. Os personagens ganharam um estilo semelhante aos desenhos animados do Cartoon Network, multicoloridos e com ritmo ágil.  O roteirista Rodrigo Castilho teve que criar episódios de 11 minutos, pegando trechos da obra de Lobato e criando novas histórias, sem descaracterizar os personagens. Humberto Avelar assina a direção e a série ainda traz a veterana atriz Gessy Fonseca dublando Dona Benta (retornando a personagem que fez no rádio em 1943) e a atriz mirim Larissa Manoela (filme O Palhaço e novela Carrossel) dublando a Narizinho.

Cena de um dos episódios da série animada do Sítio. Produção Mixer.
Direção: Humberto Avelar. 2011


E por fim, a internet
Se estivesse vivo, Monteiro Lobato teria completado 130 anos em abril de 2012. Para marcar essa data, a Editora Globo lança o MUNDO DO SÍTIO. Com o mesmo visual e estilo gráfico do desenho animado, os personagens ganham agora endereço certo na internet. Através de um portal de entretenimento, as crianças interagem com os personagens criando seu próprio avatar, participam de brincadeiras, assistem desenhos, leêm livros digitais com elementos animados, tudo voltado a educação e entretenimento sadio para as crianças. O portal tem direção geral de Saulo Ribas e conta com a consultoria do pedagogo Marcelo Cunha Bueno. As ilustrações são de Bruno Okada. A equipe conta ainda com o trabalho de grandes ilustradores como: Marcelo Cipis, Fernando Vilela, Alexandre Rampazzo, Roberto Negreiros. Narração de Denise Fraga. Para conhecer mais acesse:
http://mundodositio.globo.com/

Estudo do ilustrador Bruno Okada para a nova Emília.






E aqui está. Esta é a última versão dos personagens do Sítio. Ilustração de Bruno Okada.

Daqui a vinte anos, creio que muitos adultos irão se lembrar com carinho das revistas em quadrinhos da Editora Globo, lançadas em 2006 e 2007 e da série da TV Globo que trouxe a então atriz mirim Isabelle Drummond como Emília.

Quem tem hoje um pouco mais de 20 anos já deve guardar na memória a reprise exibida pela TV Cultura em 1997, se lembrar dos primeiros CD-ROMS interativos para os poucos computadores ainda lentos e com poucos recursos.

Para quem tem hoje mais de 40 anos, o velho gibi de 1977 é um clássico. Inesquecível. Assim como a Emília de Reny de Oliveira e a Dona Benta de Zilka Salaberry, do programa de tv do mesmo ano.

Muita gente acima dos 60 anos, diz que seu primeiro livro foi Reinações de Narizinho. Ou O Picapau Amarelo. Ou Viagem ao Céu. Muitos também se lembram de Lúcia Lambertini como a Emília da versão da TV Tupi de 1952.

A obra de Monteiro Lobato é tão fantástica e cativante, que se torna parte da infância de quem teve a oportunidade de conhecê-la. Emília, Pedrinho, Dona Benta, Visconde, são assim, como amigos de infãncia da gente. Nunca fomos ao Sítio. Nunca o vimos de verdade. Mas era só abrir um livro de Monteiro Lobato para a aventura começar. Era só ler o gibi (procure nos sebos, ainda tem muitos!). E não precisávamos de avatar, não tínhamos computador.  
Era só usar a imaginação. 
PIRLIMPIMPIM!


Agradecimentos especiais a Gustavo Machado, Roberto Fukue,
José Maria de Oliveira e Walter Reinoso.

BIBLIOGRAFIA:
Guia dos Quadrinhos. -  www.guiadosquadrinhos.com
Gian Danton e Francisco Uchoa - Antonino Homobono. site Bigorna.net
Franco de Rosa - Biografia de Fernando Bonini
Gustavo Machado - Acervo Pessoal. Fotos.
Roberto Fukue
Denise Ortega
Site Teledramaturgia - www.teledramaturgia.com.br - Nilson Xavier
ADNews
lobato.globo.com





9 comentários:

  1. Parabéns por esta belíssima postagem! Fiz parte daquele "Sítio" lá de trás, de 1977. Foi ali que iniciei minha carreira ao lado de tanta gente talentosa. Obrigado pelo resgate daquele período, assim como tantas informações e imagens de tudo a respeito desta grande obra de Monteiro Lobato.

    Gustavo Machado

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  2. Mais um excelente post, Alexandre! Vocês têm muita sorte de terem participado dessa época em que havia muita produção nacional nas bancas. Como fã do Sítio do Picapau Amarelo desde a infância, queria muito ter participado dessas produções, mas não cheguei a tempo. :)

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    1. Obrigado, Jean! Infelizmente nosso mercado está mais voltado para a produção autoral (álbuns para livrarias). Gosto mais do modelo americano (Marvel e DC)em que uma editora ou estúdio emprega uma centena de artistas para desenhar seus gibis. Era o que tínhamos aqui até os anos 1990. Infelizmente isso acabou, só sobrando o Maurício. abraços

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  3. Parabéns, amigo Alexandre. Magnífico trabalho. Fiquei até chateado quando o artigo acabou.

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    1. Valeu, amigo Parisotto! To preparando umas coisas legais aí...acho que também vai gostar. abração!

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  4. Excelente artigo! Sou fã do Sítio dede de que me conheço por gente (nasci em 1978) e fascinado por adaptações dele em cartum( animação, gibis, ilustração). Li aqui coisas que sempre quis saber. Muito obrigado pelas informações!

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    1. Valeu, meu amigo! obrigado pelas palavras! procuro fazer aqui o melhor possível! forte abraço!

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  5. Ótimo artigo. Acho que recuperou tudo que a gente queria saber. Tive sorte de participar também dessa história. Os gibis "você sabia?" de 2007 foram escritos pela nossa turma do Estúdio Megatério, mas não fizemos a arte. A adaptação para quadrinhos do livro "Fábulas" também teve meu roteiro.

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  6. esta é a historia da decadencia dos quadrinhos, pois os desenhos das revistas dos anos 70 ainda sao os melhores e o desenho do VICTOR Filho nos antigos e melhores livros de Lobato, tambem sao os melhores, agora nao temos o programa do sitio a altura dos anos 70, nao temos ilustraçoes igual ou superior ao dos anos 70, enfim aqui o ANTIGO é sinomino de QUALIDADE.

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