domingo, 22 de abril de 2012

UM BRASILEIRO EM GAME OF THRONES



Em 2011, estreou no canal HBO, a série GAME OF THRONES, baseada no best-seller AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO, sucesso mundial de autoria de George R. R. Martin, que já rendeu cinco volumes com mais de 15 milhões de exemplares vendidos. No Brasil é publicado pela editora LEYA. Com a estreia na tv, a obra ficou conhecida por um público bem maior, fez uma multidão de fãs (só nos EUA a série já foi vista por 4,2 milhões de espectadores) e passou a aparecer em outras mídias, como os quadrinhos. A iniciativa foi da editora americana DYNAMITE em parceria com a BANTAM BOOKS.


Capa alternativa de ALEX ROSS

Capa especial para o NEW YORK COMIC CON - Outubro de 2011

A série em quadrinhos A GAME OF THRONES, é uma maxissérie mensal em 24 edições de 29 páginas, que adapta o primeiro livro da saga. Foi lançada em setembro de 2011 e foi destaque em outubro durante a NEW YORK COMIC CON. A primeira edição fez tanto sucesso que teve uma segunda tiragem. Com adaptação de Daniel Abraham, desenhos de Tommy Patterson e capas de Mike S. Miller e do excelente Alex Ross, a série traz um dado interessante para nós: um colorista brasileiro. Sim, direto de Itu, interior de S. P., um rapaz de 39 anos, agenciado pelo estúdio IMPACTO do desenhista Klebs Junior, faz um trabalho que valoriza ainda mais o traço de Patterson, com uma paleta de cores equilibrada e de extremo bom gosto. Contando com um minucioso trabalho de pesquisa em cima da obra de Martin, o que se pode ver é uma adaptação fiel á obra. Os castelos e paisagens de Westeros são brilhantemente retratados pela equipe, que inclui nosso artista brazuca.

Conheçam agora IVAN NUNES, um brasileiro em A GAME OF THRONES!

Qual a sua formação?
Sou formado em Processamento de Dados mas a vontade de pintar e desenhar vinha desde pequeno o que acabou me direcionando para outro lado.

Conta pra gente como foi seu início de carreira e como vc chegou ao estúdio IMPACTO.
Como disse sempre gostei de arte e isso me levou diretamente aos quadrinhos. Na minha opinião, as histórias em quadrinhos englobam tudo o que você puder aprender em desenho e atualmente em pintura. Sempre trabalhei como desenhista artístico e como hobby tentava entrar no mercado de quadrinhos, aos poucos fui colorindo meus trabalhos pra ver o resultado final e quando percebi gostava mais de colorir do que desenhar (não! estou mentindo, as duas coisas são ótimas!), mas passei a me dedicar mais as cores e quando achei que estava num nível bom comecei a procurar alguém para me representar, foi quando encontrei a IMPACTO, encaminhei alguns trabalhos ao Klebs, ele achou que eu tinha potencial e estamos juntos no mercado americano há mais de 6 anos.




Quais foram seus trabalhos anteriores a A GAME OF THRONES?
Tenho muitos, a grande maioria pela Dynamite. Hoje a quantidade de comics que eu colori já passam de 90, sendo os principais, Army of Darkness (20 edições), Battlestar Galactica, Raise the Dead, Superpowers II, Meet the Bad Guys, Black Terror, Green Hornet (21 edições), Game of Thrones, Bionic man, além de várias edições one-shot e uma tonelada de capas (já chegam a 170).

Vc fez algum teste para a Dynamite antes de iniciar o seu trabalho na série?
Sim. Eu já conhecia os livros e quando esse teste caiu em minhas mãos tentei agarrar com unhas e dentes. Dentre os que o fizeram, foram escolhidos os três melhores e alguns ajustes solicitados diretamente por Daniel Abraham que procurava fidelidade absoluta aos detalhes do livro. Acabei conseguindo e isso foi muito bom.


Como é o processo de trabalho na série A GAME OF THRONES? Vc teve referências para criar as cores dos cenários/personagens? Assistir a série auxilia no seu trabalho de colorização?No início recebi as referências dos personagens principais, pois Abraham quer que os quadrinhos sejam fiéis em relação aos livros de George R.R. Martin. Principalmente cores de cabelos e olhos, cores de  algumas roupas relativas a cada reino, etc. O restante, como cenários e ambientes foi deixado à meu cargo mas para isso eu procuro referência nos livros que descrevem muitos dos cenários. Quanto à série da HBO, eu a uso para inspiração (eu adoro essa série) mas não para cores uma vez que ela não segue 100% o que é descrito nos livros.



Quais são seus artistas preferidos?
Me inspiro em vários mas sempre tentei ter o meu estilo, apesar dele variar de acordo com o desenhista que estou trabalhando. Por exemplo hoje trabalho simultaneamente em Game of Thrones e Bionic-Man. Se você ver as duas revistas os estilos de cor parecem muito diferentes. No caso do Jonathan Lau (Bionic man) já trabalho com seu traço há 3 anos
e sei o que ele gosta. Já Tommy Patterson (Game of Thrones) faz cenários mais indefinidos o que me dá mais margem para uma melhor ambientação. Mas voltando a pergunta, são eles Peter Steigerwald, Justin Ponsor, Marte Gracia, Kinsun Loh entre outros.

Vc trabalha sozinho? Além de trabalhar como colorista, vc ensina sua técnica tb?
Sim, trabalho. Nunca tentei ensinar, mas acredito que não seria muito bom nisso uma vez que trabalho mais com a prática e meus instintos. Na verdade acho que tenho muito a aprender antes de começar a ensinar.
Muitos artistas aqui no Brasil, tem que trabalhar em outras áreas, como publicidade, livros didáticos, storyboard, além das hqs. Dá para viver só de quadrinhos?
Atualmente eu vivo. E eu acho que um colorista pode viver ainda melhor nesse ramo, porque apesar de um desenhista ganhar mais, em geral ele consegue fazer uma revista por mês enquanto um bom colorista com prática pode colorir até três revistas. Logicamente que estamos falando do mercado internacional.

O lançamento de A GAME OF THRONES  foi no NYCC 2011. A série já está sendo publicada em vários países. Vc já esteve ou foi convidado a participar de convenções internacionais de hq?
 Não. E não ligo muito pra isso. Acho que o que eu preciso mostrar e o que eu quero que gostem é o meu trabalho de colorização.




Cena da série da HBO. Final da primeira temporada.
Na série em quadrinhos, ela acaba na edição 24.

Vc tem ou está participando de algum projeto de quadrinhos nacionais?
Não. Até porque acho que são poucos os que se arriscam em nosso País. Mas gostaria muito de que um dia pudéssemos ser reconhecidos por aqui pelo que fazemos aqui.

O que vc pode dizer para as pessoas que querem ser coloristas de hq?
Fazer hoje em dia o que se gosta é um privilégio para poucos, mas já li em algum lugar que se você trabalha com o que gosta então não precisará trabalhar um só dia em sua vida.
Se querem ser coloristas, dediquem-se a isso, procurem cursos de colorização de quadrinhos (isso lhe poupará muitos anos que você gastaria aprendendo sozinho), vejam muitos quadrinhos (na verdade estudem muitos quadrinhos). Imagine que você estivesse colorindo cada quadro daquela revista, se questione porque o colorista usou esta cor e não aquela em determinado local e principalmente treinem muito. Só a prática levará a perfeição. Não desgastem seu relacionamento com agentes e editores tentando fazer eles engolirem cores que nem mesmo você está satisfeito, seja autocrítico e só mostre seu portfolio quando você achar que já tem um nível razoável para ser reconhecido.




 Depois de entrevistá-lo via e-mail, ainda me bateu a curiosidade de saber mais sobre o seu dia-a-dia, e Ivan ainda me contou que acorda as 7 horas da manhã, e só pára quando termina as três páginas diárias de sua produção. Além de A GAME OF THRONES, ele está fazendo THE BIONIC MAN, outra adaptação da DYNAMITE, da série O HOMEM DE SEIS MILHÕES DE DÓLARES, no traço de Jonathan Lau.
Para conhecerem um pouco mais sobre o trabalho de Ivan acesse:
<http://www.ivan-nes.deviantart.com>

O blog ALEARTE QUADRINHOS agradece a Ivan Nunes que inaugurou a nossa série de entrevistas.





Depois de um ano focando a produção de quadrinhos das décadas de 1980, 1990 e 2000 (que ainda vamos continuar) o blog agora inicia uma série de entrevistas focando o trabalho de artistas ainda pouco divulgados pela mídia, ou até bastante conhecidos, mas que aqui terão a oportunidade de mostrar uma outra faceta do seu trabalho, nos contando curiosidades, passagens engraçadas, casos e bastidores do mundo das hqs!

sexta-feira, 16 de março de 2012

AS TENTATIVAS DE RENOVAÇÃO DA HQ BRASILEIRA (ESCALA GRAPHIC TALENTS-2001)





Capa do número de estreia da série, com o MICO LEGAL, de Sérgio Morettini.

Em 2001, a Editora Escala lançou uma das mais significativas empreitadas em prol da renovação da hq brasileira. Ela convidava artistas novos ou veteranos a apresentarem seus personagens em uma revista, que deveria ser entregue absolutamente pronta para a editora (diagramada, colorida e letreirada). A eles caberia fazer a revisão final , lançar e distribuir para todo o Brasil, uma tiragem inicial de 30 mil exemplares. Caso as vendas dessa única edição, fossem satisfatórias, seria feito um contrato com o autor, para mais três edições. Depois, um contrato para mais dez, e assim por diante. Seriam lançadas duas edições por mês, ao custo de R$1,50 nas bancas.
Assim surgia GRAPHIC TALENTS, selo idealizado por Carlos Mann do Estúdio Mercado Editorial, tendo como editor o jornalista e também quadrinista Dario Chaves. Vale lembrar que esse era um dos estúdios que mais produzia revistas (principalmente de hqs) para a Escala. Funcionou inclusive durante um tempo, na antiga sede da própria editora na Casa Verde. Através desse selo o público de hqs pode conhecer novos personagens, retomar contato com outros mais antigos, conhecer e admirar novos e talentosos quadrinistas.
O número 1 trouxe ao público uma aposta acertada no gênero infantil. MICO LEGAL, de Sergio Morettini, apresentou uma linguagem leve, bem humorada, nos traços de um dos mais talentosos e versáteis desenhistas brasileiros. As aventuras de um mico leão dourado e seus amigos, sempre procurando defender a floresta onde moram, venderam entre 12 e 15 mil exemplares e permitiram a editora lançar mais três edições. Essa segunda fase viria com numeração própria, sem o selo da coleção. Eu tive a oportunidade de produzir os quatro números da série, entregando a revista pronta para a editora. Foi agraciada com o Troféu HQ MIX de melhor revista infantil de 2001 e eu ganhei o Troféu Angelo Agostini de melhor colorista pelo mesmo trabalho. O lançamento aconteceu em 11 de novembro de 2001, durante o 2º FEST COMIX, evento que já começava a movimentar fãs e aficionados por toda a cidade. Nesse mesmo evento foi lançado também o número 2 do GRAPHIC TALENTS, trazendo a personagem BETTY GRUPPY, de autoria de Maxx Figueiredo. Com uma proposta e um visual mais jovem, as histórias mostravam o dia-a dia da tresloucada personagem entre baladas, paqueras, TPMs e muitas confusões. Ela inclusive esteve presente no lançamento, em uma grande sacada de marketing feita pelo autor, que contratou uma atriz para interpretar a personagem, que circulou entre os presentes autografando os primeiros exemplares da revista.


Betty Grupy, a estrela do número 2.



O número três nos trouxe TRISTÃO de Estevão Ribeiro, com arte de Amauri Ploteixa. No estilo mangá, apresentava as aventuras do personagem-título que, depois de pertencer a um grupo de assassinos, passa para o lado do bem e investiga o sequestro da filha de um empresário na cidade de Vitória, ES.
O número quatro trouxe uma reunião de 16 cartunistas comandada por Rodnério Rosa. Intitulada TALEBANG, apresentava cartuns e charges de vários autores, como Bira, Alecrim, Rodrigo Rosa, Santiago entre outros, enfocando a guerra entre Estados Unidos e Afeganistão e seus desdobramentos, sempre com muita irreverência e bom humor.




O número 5 revelou-se uma grata surpresa. Apesar de já estar sendo distribuído pela Agência Estado para vários jornais do país, o grande público ainda não conhecia GRUMP, personagem do cartunista Américo
Orlandeli, ou simplesmente Orlandeli. Com uma boa dose de humor, em histórias engraçadíssimas a revista fez sucesso e ganhou inclusive o Troféu HQ MIX de melhor revista de humor de 2002. O autor continua fazendo sucesso e foi vencedor do Salão de Humor de Piracicaba em 2008, com a série de tiras SIC, publicada depois em livro pela CONRAD EDITORA.


O número 6, fazia mais uma incursão no gênero mangá. GAMEMON de autoria de Arthur Garcia, apresentava a história de Théo, um garoto que descobre uma carta mágica que pertencia ao seu avô. Através dessa carta, ele acaba invocando um monstrinho chamado Pingomon, e descobre também que seu pai abandonou a família para percorrer o mundo atrás das outras cartas mágicas. E resolve ir atrás dele. Sugeria uma continuação que não aconteceu. Convidado pelo autor, colorizei e letrerei a edição inteira e fiz assim minha segunda participação no selo.
O número 7, apresentou DÁLGOR, de autoria de Dario Chaves, editor do selo. Com desenhos de José Carlos Chicuta e cores de Renato Gomes e Alex Guimarães, mesclava elementos de ficção científica com ação e suspense.


O número 8 tirava da gaveta uma série criada na década de 1990 na Editora Nova Sampa. A TURMA DO BARNABÉ, de autoria de Franco de Rosa, fora concebida para ser uma franquia, que se desdobraria em uma série de outras publicações. Na época, apenas a revista de atividades foi lançada, ficando o gibi na gaveta, produzido por uma grande equipe formada por Mingo, Genival de Souza, Edil Araújo, Vanderlei Felipe e João Costa. Focava nas aventuras de uma turma que, vivendo no campo, se envolvia em situações bastante engraçadas.



ZÉ LOUQUINHO E URUBUNALDO foi o número 9, da série GRAPHIC TALENTS. Apresentava uma série mais voltada para o público adolescente, que curte skate, ciclismo, música e tudo mais. Criação de Wilson Gandolpho, de Araraquara.
O número 10 nos trouxe uma mangá cômico criado por Alexandra Teixeira e Henrique Magalhães. ZUZNA, era uma gênia não da lâmpada, mas sim do bule, que se envolvia em situações muito divertidas.
LELECO, criação de Antonio Lima, estrelou o n. 11 da série. Trazia para os quadrinhos o universo do futebol, enfocando as aventuras de um time formado por crianças. Antonio Lima apresentava então o seu primeiro trabalho autoral, depois de muitos anos atuando com arte-finalista de quadrinhos Disney.




VELTA, de Emir Ribeiro, era a edição de n. 12. Já conhecida do público que curte hq nacional, a voluptuosa heroína retornava com suas aventuras cheias de ação e muito charme. Na mesma época, era lançado também um álbum de luxo, vendido apenas em comic shops.
Criação de Raimundo Guimarães, ex-roteirista Disney, O GALO COSTA trouxe para o público no número 13, as aventuras hilariantes de um galo, que sendo detetive particular, se envolvia em diversas situações para resolver seus casos. Retornei ao GRAPHIC TALENTS pela terceira vez, colorindo e letreirando essa edição, que foi considerada uma das melhores do selo, sendo posteriormente republicada em almanaque.





O número 14 trouxe CARCEREIROS, uma trama de mistério e suspense. Criação de Nestablo Ramos Neto, com cores de Eduardo Miranda, apresentava a história de uma sociedade secreta de pessoas que podiam ver demônios andando entre nós. Com um desenho belíssimo e uma trama envolvente, fez com que muitos considerassem como sendo a melhor série apresentada pelo selo. O autor é hoje um dos grandes expoentes da nova safra de quadrinistas. Lançou com grande sucesso em 2009, o álbum ZOO, pela HQM Editora, premiado com o Troféu Bigorna de melhor álbum de aventuras. No ano seguinte, ZOO entra na lista do PNBE, sendo distribuído nas escolas por todo o Brasil. Participa também da revista LULUZINHA TEEN (Pixel-Ediouro) e do SESINHO (publicado pelo SESI), e está preparando o mangá POLE POSITION (sobre carros de corrida) e a volta de CARCEREIROS.


O n. 15 traz mamíferos da pré-história como personagens, na série OS PLEISTOCÊNICOS, de autoria da ilustradora Dadí, já publicados no jornal Correio Popular, de Campinas.
Para o n. 16, outra grata surpresa. LOBO GUARÁ, de autoria de Carlos Henry, arte de Elton Brunetti e cores de Gabriel Rocha, trazia um herói habitante da Amazônia que teve seus genes humanos misturados com o do animal que lhe dá o nome. Um trabalho altamente profissional que será republicado em 2012 pela editora Mobicomics especializada em quadrinhos para internet.


E quando a série atingia uma certa maturidade e alcançava um excelente nível de qualidade, vem o cancelamento. Apesar de toda a movimentação que ela provocou no mercado, fazendo com que artistas e criadores botassem a mão na massa para apresentar suas séries para avaliação, as vendas, que ficavam entre seis e dez mil exemplares, não sustentavam mais o grande investimento feito pela Escala em parceria com a distribuidora Fernando Chinaglia. Apenas o MICO LEGAL (número 1 da série) criado por Sérgio Morettini, conseguiu ultrapassar a barreira e lançar mais três edições. Com isso, projetos que já haviam sido entregues, ficaram na gaveta. Como a hq OSVALDO, criada por Edgar Guimarães e desenhada por Antonio Eder. Essa só chegou ao público em 2006, por iniciativa da editora Marca de Fantasia. Outra que ficou de fora foi CHICLEMAN, de André Almeida.


Capa da edição de OSVALDO, pela MARCA DE FANTASIA.

Para tentar resolver o problema, a ESCALA lançou tempos depois um almanaque, contendo algumas das edições que haviam ficado na fila para publicar e algumas reedições. Nesse almanaque, foi publicada na íntegra o que seria a edição 17 do selo: VISÕES DE CLAUDECIRO, do genial Marcatti. Apresentou também o que seria o numero 18: METEORO, de Roberto Guedes, uma excelente hq que, nos traços de Marcelo Borba, apresentava as aventuras de Ric Marinetti que se transformava no super-heroi METEORO para combater o crime. Republicou O GALO COSTA, entre histórias avulsas desenhadas por Mozart Couto e Flávio Colin. Um elenco realmente muito bom.


Capa do ALMANAQUE DE QUADRINHOS, com destaque para METEORO. Era o fim do selo GRAPHIC TALENTS.

E assim chegou ao fim uma das mais interessantes iniciativas em prol do quadrinho brasileiro. Infelizmente, nem o grande investimento feito pela ESCALA em parceria com a distribuidora FERNANDO CHINAGLIA, nem a criatividade de nossos artistas aventurando-se nos mais variados gêneros, permitiu a continuidade da série, ou melhor, o lançamento individual de algum título publicado, com periodicidade regular. Porém, o saldo é positivo. Revelou talentos (Nestablo Ramos, Orlandeli, Estevão Ribeiro, entre outros), ganhou prêmios (HQ MIX para MICO LEGAL e GRUMP) e incentivou artistas a se lançarem de forma independente. Em 2010, a Editora HQM tentou editar uma série nos moldes da GRAPHIC TALENTS. Foi a SÉRIE INFANTO-JUVENIL HQM, que também publicaria um título diferente a cada edição. Foram anunciados: SENNINHA, HISTÓRIAS DA BÍBLIA, XAXADO (Cedraz), PET (Nestablo Ramos), RAN (Salvador), MICO LEGAL (Morettini), METEORO (Roberto Guedes). Só saiu o número 1, com o SENNINHA. Cedraz lançou XAXADO E SUA TURMA em título próprio (4 edições) pela mesma editora. Só nos resta aguardar e torcer para alguma editora criar coragem e voltar a investir no quadrinho nacional de autor, e não só em adaptações de clássicos ou coisas do gênero, visando as compras governamentais. A Abril já está fazendo a sua parte lançando três títulos inéditos (GEMINI 8, UFFO e GAROTO VIVO), a um preço bastante interessante. Cada exemplar custa R$1,95. Porém hoje, para alcançar o público, não basta lançar só o gibi. O personagem tem que estar na internet, ter site, blog, ou portal. Tem que ter sua versão animada. Se possível na TV e na internet também. O autor tem que fazer muito barulho. Mas nossos heróis (não os personagens, mas os autores de hqs) não desistem. Ainda bem. Aguardem novidades.


Capa inédita do número 18 do GRAPHIC TALENTS que seria com o METEORO, de Roberto Guedes.

 
 
 
Algum tempo depois, Marcatti republicou de forma independente a hq VISÕES DE CLAUDECIRO, que deveria ser o número 17 do selo e que havia saído apenas no Almanaque. Pela sua editora PRO-C, com o título FÁBULAS DO ESCÁRNIO.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

AS TENTATIVAS DE RENOVAÇÃO DA HQ BRASILEIRA ( EDITORA TRAMA - 1997)

OS QUATRO PRIMEIROS TÍTULOS LANÇADOS PELA TRAMA EM 1997.
TODAS PRODUÇÕES NACIONAIS.

Marcelo Cassaro já era um grande talento das hqs, quando em 1996 apresentou para a então novata Editora Trama, o projeto de uma revista de RPG (Role Playing Games). Tendo trabalhado nos Estúdios Mauricio de Sousa, na Abril Jovem (TRAPALHÕES, DIDI VOLTA PARA O FUTURO E AGENTE CÃOFIDENCIAL) e na Escala (STREET FIGHTER), era chegada a hora de editar uma revista sobre a febre daquela época, os jogos de interpretação. E assim surgiu a DRAGÃO BRASIL, na Trama, editora de propriedade de Ruy Pereira, que em 1991, foi um dos fundadores da Editora Escala, junto a Hercilio de Lourenzi. Para produzir a revista, Cassaro conseguiu reunir um grande número de ilustradores, muitos deles desconhecidos do grande público e que estavam mostrando seu trabalho em uma revista de grande circulação pela primeira vez: Márcio Alex Sunder, André Vazzios, Evandro Gregório, Marcelo Caribé, Rogério Vilela, entre outros. Fanático por hqs, Cassaro procurava sempre alternar matérias sobre RPG com quadrinhos, e com isso, fez da revista um grande sucesso, ofuscando inclusive a sua concorrente DRAGON MAGAZINE da major Abril.
Foi na revista que  Marcelo Cassaro, Rogério Saladino e J. M. Trevisan criaram o cenário de RPG TORMENTA, que apresentou ao público o Mundo de Arton, que futuramente seria cenário de várias hqs publicadas pela editora. Foi daí que originou-se a ideia: ora, se HQ e RPG tem tudo a ver, porque não lançar quadrinhos baseados nos RPGs e seus personagens? E assim acontecia uma grande revolução na  hq brasileira. Com carta branca da editora para aprovar e dirigir os projetos, Marcelo Cassaro comandou o trabalho e lançou várias minisséries (quase todas ao mesmo tempo), com um visual até então inédito no Brasil. A idéia era fazer hqs no estilo da Image Comics, tanto no estilo dos desenhos, quanto na colorização, já que a novata editora americana havia praticamente oficializado a pintura digital nas hqs.
O primeiro lançamento foi a minissérie GODLESS, baseada no RPG Arkanun de Marcelo Del Debbio, criação de Márcio Alex Sunder e William Shibuya, com desenhos do próprio Márcio, arte final de um certo Rodrigo Kings (o conhecido colorista Rod Reis, em início de carreira) e Edde Wagner, com colorização de um dos precursores do gênero no Brasil, Alexandre Jubran e letras de Miriam Tomi ( a excelente Lilian Mitsunaga, usando pseudônimo já que era contratada da Abril Jovem). Foi o trampolim para que Márcio Alex Sunder ficasse conhecido e tempos depois fosse trabalhar com hqs para os EUA.
Em seguida, foi lançada UFO TEAM, minissérie em 4 edições era baseada no RPG Invasão, de Marcelo Cassaro, desenhos e arte de Joe Prado (na época estreando nas hqs, e atualmente um dos melhores desenhistas da DC Comics, parceiro de Ivan Reis em Aquaman), cores de Jubran e Tatiana Bisson.


A TRAMA REALIZOU UM EVENTO NA GIBITECA HENFIL PARA LANÇAR SUAS REVISTAS.
DA ESQ. PARA A DIR: MÁRCIO ALEX SUNDER, ARTHUR GARCIA, ALEXANDRE NAGADO, ANDRÉ VAZZIOS, MARCELO CASSARO, MARCELO CARIBÉ E JOE PRADO. (REPRODUÇÃO DE FOTO PUBLICADA NO N. 1 DE BLUE FIGHTER).


ANÚNCIO DE LANÇAMENTO DA SÉRIE UFO TEAM. NOTEM  QUE A COLORIZAÇÃO POR COMPUTADOR, ERA DIVULGADA COMO NOVIDADE.

Com o bom desempenho das duas primeiras, a editora lança na sequência CAPITÃO NINJA, cujo personagem-título era o próprio alter ego de Cassaro. Minissérie em 3 edições, com arte de Marcelo Caribé, totalmente pintada á mão, utilizando várias técnicas.
Depois viria, BLUE FIGHTER, também em 3 edições. Uma fuga da editora do gênero RPG, para o mangá, cujo estilo começava a motivar artistas brasileiros. Criação de Alexandre Nagado, expert no assunto, desenhos de Arthur Garcia (que já se consagrava no gênero graças ao sucesso de STREET FIGHTER pela Escala). Um parênteses: fiz teste para colorizar BLUE FIGHTER e até fui aceito pelo autor, mas não passei pelo crivo do diretor de arte da Trama. Queria muito ter participado disso tudo. Enfim, as cores foram feitas pelo grande Rod Reis e também pelo Núcleo de Arte do professor Ismael dos Santos.


ANÚNCIO DE LANÇAMENTO DE BLUE FIGHTER. 1997


CAPA DO NÚMERO 1 DA SÉRIE LUA DOS DRAGÕES.

ANÚNCIO DE LANÇAMENTO DE LUA DOS DRAGÕES.

Em seguida chegou "LUA DOS DRAGÕES", intitulada pela editora como a maior e mais dramática saga dos quadrinhos nacionais. Em seis edições, na arte do genial André Vazzios, também colaborador da DRAGÃO BRASIL, trazia desenhos belíssimos finalizados a lápis, com riqueza de detalhes, recebendo por cima o colorido digital. Recebeu o troféu HQ MIX de melhor minissérie.


ASSIM É O VISUAL DE LUA DOS DRAGÕES.

Dessa fase, com exceção de GODLESS e BLUE FIGHTER, todos os outros títulos tinham roteiro e criação de Marcelo Cassaro.
Com um orçamento enxuto, muitas vezes Cassaro fazia diagramação, letras, e com isso conseguia  remunerar bem os seus colaboradores. Segundo ele, com uma verba que um editor usaria para produzir uma revista, ele fazia três, quatro títulos. Depois vieram edições menores e alguns tropeços. KILLBITE, em duas edições, criação de Cassaro e Joe Prado, com desenhos de Dino Gomes e Wagner Fukuhara nas cores. LILO, de Klebs Junior, com arte dele, Sam Hart nas cores e Luke Ross na capa, prometia sair em três edições, mas apenas o número 1 chegou ás bancas. A revista promovia também o lançamento do curso IMPACTO, de Klebs, Luke Ross, Fabio Laguna e Manny Clark, em parceria com a Trama, visando formar novos artistas para trabalharem para o exterior. Em seguida, dois títulos lançados em one-shot (única edição): PREDAKONN, escrita e desenhada pelo Marcelo Cassaro, com cores de Tatiana Bisson e Wagner Fukuhara e DRAGONESA, com arte de Evandro Gregório (mais conhecido hoje como Greg Tocchini, um grande desenhista, com trabalhos feitos para a Marvel e DC Comics).



A invasão nas bancas e comic shops das revistas, motivou a até então líder Abril Jovem a investir em produções nacionais do gênero. Ela quase conseguiu publicar PLANETAZUL, que saiu de forma independente em 1998, com o título de SPIRIT OF AMAZON. Criação de Orlando Paes Filho (Angus), desenhos de Rodrigo Pereira e colorização belíssima de Alexandre Jubran. Das cinco edições programadas, saíram só quatro, deixando a série sem conclusão. Mas continuou tentando, lançando em 1998, TERRA 1, minissérie em 4 edições, com argumento do editor-chefe de super-heróis da Abril, Sérgio Figueiredo, roteiro de David Campiti, desenhos de Carlos Mota (tornou-se depois um excelente desenhista dos personagens Disney) e cores novamente de Alexandre Jubran. Foi um fracasso de vendas, enterrando os outros projetos que viriam a seguir, como uma série sobre futebol, que seria desenhada por Klebs Junior.
Nos anos seguintes, com menor intensidade, a TRAMA continuou investindo em hq, porém publicando material produzido aqui com franquia internacional. MORTAL KOMBAT e STREET FIGHTER ZERO3, já publicados pela Escala, voltavam ás bancas. A primeira no traço de Eduardo Francisco e a segunda trazia a então estreante Erica Awano. Em 2000, surge também VICTORY, minissérie de Marcelo Cassaro, com roteiro de Petra Leão, desenhos de Eduardo Francisco e cores de Ricardo Riamonde.


CAPA DO ÚLTIMO NÚMERO DE HOLY AVENGER.

E aí surge nas páginas da DRAGÃO BRASIL, uma hq chamada HOLY AVENGER. Sem muita pretensão, as três primeiras aventuras de Lisandra, Sandro e Niele, foram publicadas nas edições 44 a 46 da DRAGÃO e no ano seguinte viraram revista mensal. A TRAMA diminuiu seus lançamentos e passou a se dedicar somente a edição mensal de HOLY AVENGER. Durante três anos com publicação ininterrupta e várias edições especiais, a série se tornou um dos maiores sucessos da história da hq brasileira. Pode-se dizer, que foi o primeiro mangá brasileiro a alcançar sucesso e atingir a marca inédita de 40 edições. As aventuras se passavam no Mundo de Arton, do RPG Tormenta e fizeram fãs pelo Brasil inteiro. Fãs que jogavam ou não RPG. Além do traço belíssimo de Erica Awano, a série teve cores de Ricardo Riamonde e Rodrigo Reis e um elenco de artistas formado por: André Vazzios, Petra Leão, Fran Elles Briggs, Denise Akemi, Greg Tocchini, Jae Woo. A maioria hoje abrilhantando as páginas da TURMA DA MÔNICA JOVEM. Ganhou todos os prêmios, de melhor revista seriada a melhor colorista para André Vazzios. É até agora a única série em quadrinhos brasileira a ganhar uma edição especial, contando os bastidores da criação, cenas avulsas, comentários dos envolvidos e  histórico de seus artistas. Coisa para fã e colecionador.

CAPA DO ARTBOOK DE HOLY AVENGER.

Com o fim de HOLY (e não poderia deixar de ser, já que, ao contrario das hqs americanas de super-heróis, os mangás sempre terminam)  a editora TRAMA agora rebatizada de TALISMÃ, devido ao homônimo com uma gravadora, publica outros títulos nacionais como a revista mix TSUNAMI (revelando novos talentos do mangá no Brasil) e apresenta a nova versão da minissérie VICTORY (já publicada em 2000), trazendo para o público brasileiro a versão que fora publicada pela Image Comics nos EUA, com o mesmo desenhista da primeira versão Eduardo Francisco e nova colorização de André Vazzios. Trouxe de volta ás bancas a série HOLY AVENGER em uma versão "remasterizada". Mas como tudo tem um fim, a editora TALISMÃ, mudou de nome novamente e parou de investir em quadrinhos e RPG. Marcelo Cassaro saiu e foi para a Mythos, fazer DUNGEON CRAWLERS, nova mini passada no mundo de Arton, com desenhos de Daniel HDR e cores de Ricardo Riamonde. Na mesma editora, relançou HOLY, como HOLY AVENGER RELOADED.


MARCELO CASSARO, CRIOU UM CENÁRIO DE RPG 100% BRASILEIRO, QUE RENDEU LIVROS, QUADRINHOS E SÉRIES. E CONTINUA FAZENDO SUCESSO.

A TRAMA/TALISMÃ fez história na hq brasileira. Fazia tempo que uma editora não investia tanto e com tanto fôlego em quadrinhos nacionais. Entre 1997 e 2005, com tantos títulos lançados, revelou grandes talentos que hoje estão aí trabalhando inclusive para o exterior. Hoje, em uma época em que os álbuns de hqs, vendidos em livrarias, parecem ser a única opção de uma boa parte das editoras de quadrinhos, sentimos falta e muita saudade de ver a banca abarrotada de gibis brasileiros. E sentimos  também a falta da ousadia e coragem de editores em investirem no nosso produto. Iniciativas como essa da TRAMA junto ao Marcelo Cassaro, foram sem dúvida, tentativas de renovação da hq brasileira. Na mesma época, outras também o fizeram,  como a ESCALA em 2001, com a série Graphic Talents. Mas isso é assunto para a próxima matéria.


ANÚNCIO DE VICTORY, PUBLICADA COM SUCESSO NOS EUA.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

AS TENTATIVAS DE RENOVAÇÃO DA HQ BRASILEIRA (EDITORA ABRIL - ANOS 1970)



Quando vemos uma atitude ousada como essa da Abril em voltar a investir em hqs nacionais (ver matéria anterior) nos lembramos que, em outras épocas ela já fez isso, com tanto entusiasmo e investimento como agora, e também que outras editoras o fizeram. Lá atrás, em 1974, a Abril lançava a revista CRÁS, publicação mix que apresentava novos personagens brasileiros. A ideia apresentada por Claudio de Souza, que foi um dos grandes editores de hqs da Abril, era apresentar um panorama da nova hq brasileira, dar espaço aos novos artistas e até lançar em revista própria os personagens que fizessem mais sucesso. Em seis edições, o público conheceu e curtiu grandes criações, verdadeiros clássicos hoje em dia:
KACTUS KID (Renato Canini) - Foi a grande revelação da revista, deste que é um dos maiores desenhistas do Brasil. As histórias do agente funerário Zeca Funesto que se transforma em KACTUS KID para conseguir "clientes"  fizeram e fazem sucesso até hoje. Infelizmente nunca foi lançada em revista própria.


SATANÉSIO (Ruy Perotti) - grande sucesso da revista, as histórias de um diabo desmoralizado sempre ás voltas com um anjo que insiste em protejê-lo fez tanto sucesso que foi lançado em título próprio, em quatro edições.
ZODIAKO (Jayme Cortez) - a obra máxima de Jayme Cortez estreou nas páginas da CRÁS, e logo foi publicada em álbum próprio pela Editora Saber. Em seguida saiu também na Itália e rendeu ao seu autor o Troféu O Tico-Tico.


SACARROLHA (Primaggio Mantovi) - Vencedor de um concurso (olha aí outra iniciativa em prol da hq brasileira) promovido em 1972 pela RGE (Rio Gráfica e Editora), foi publicado em título próprio (36 edições), e com a contratação de seu autor pela Abril, foi relançada dentro do título DIVERSÕES JUVENIS em quatro edições e passou a sair nas páginas da CRÁS.
Outros personagens da revista: BINGO (Paulo José), O PATO (Ciça), O LOBISOMEM (Julio e Herrero), ARAGÃO e POPOTO E TONELÉ (Cesar Sandoval), ONOFRE (Julio e Michio), entre outros.
Vale lembrar ainda que a CRÁS fazia parte da série DIVERSÕES JUVENIS, título que a cada edição mensal apresentava um personagem diferente, brasileiro ou estrangeiro, e partia da mesma premissa que, caso as vendas fossem muito boas, o personagem ganharia título próprio. Foi assim que LULUZINHA e BOLINHA foram lançadas em 1974. Nos anos seguintes saíram de suas páginas para ganhar alçar vôo solo, PERNALONGA, O PICA-PAU, OS JETOSNS e FRAJOLA E PIU-PIU. A Abril apostou na volta do PERERÊ (Ziraldo) em julho de 1975, publicou GABOLA (Ruy Perotti) em outubro de 1976 e apostou em CACÁ E SUA TURMA (Ely Barbosa) em fevereiro de 1977.




Em seguida, outro grande projeto da Abril, na tentativa de fortalecer o mercado de quadrinhos brasileiros, foi o PROJETO TIRAS, criado em 1979. Dirigido por Ruy Perotti e coordenado por Wagner Augusto, funcionava como os syndicates americanos, distribuindo tiras de personagens brasileiros por vários jornais do país. Para essa empreitada, Primaggio Mantovi lançou O VETERINÁRIO, Carlos Avalone apresentou o seu CARRAPICHO (lançada em título próprio nos anos 1980), Renato Canini apresentou o indiozinho TIBICA (publicado recentemente pela Saraiva) e Ruy Perotti trouxe para as tiras o SUGISMUNDO (sucesso em comercial de tv). O projeto durou pouco mas rendeu uma sobrevida para alguns artistas, que continuaram a publicar seus personagens em jornais, mesmo após a extinção do núcleo.
De lá para cá, a Abril lançou muitos títulos de hqs brasileiras. Mas foi se afastando dessa área, depois da extinção do estúdio Disney, e do mercado, que caiu drasticamente nos anos 1990. Até que surge agora, em 2010, com o PRÊMIO ABRIL DE PERSONAGENS, concurso criado para revelar novos talentos das hqs infantis, e que nos trouxe UFFO, e GAROTO VIVO, já nas bancas. Que o empenho e entusiasmo da Abril não diminua diante dos obstáculos de nosso mercado, que são muitos. Que continue a investir, trazendo novos artistas e personagens para um público que, além da TURMA DA MÔNICA, não conhece mais nada de quadrinho nacional, e que inspire outras a fazerem o mesmo e abrirem as portas para nossos artistas, como fez a EDITORA TRAMA, em 1997. Mas isso é assunto para a próxima matéria.