domingo, 19 de maio de 2013

E O PALHAÇO O QUE É?.... PERSONAGEM DE GIBI! - Parte 1






Em 18 de setembro de 1950, era inaugurada a PRF-3 TV Tupi de São Paulo, a nossa primeira emissora de televisão, com shows de vários artistas, como Hebe Camargo e Ivon Cury.
Logo na estreia, um número cômico do grande ator e comediante Mazzaropi, que havia feito muito sucesso no rádio. Esse comediante caipira se apresentou em muitos palcos antes de chegar à TV, entre eles, o circo. De grande popularidade, as companhias circenses consagraram artistas que seguiram o mesmo caminho. Além de Mazzaropi, Oscarito e Grande Otelo, Fuzarca e Torresmo, Arrelia e Pimentinha, Carequinha e Fred, também foram para o rádio e depois para a TV. E para não ficar só na memória, já que nem vídeo tape existia, eles foram parar nos gibis, iniciando uma prática que se tornaria constante nas décadas seguintes!
Então, ABRAM-SE AS CORTINAS, POIS VAI COMEÇAR O ESPETÁCULO!!

COMO VAI, COMO VAI, COMO VAI?
EU VOU BEM, MUITO BEM, BEM, BEM!

ARRELIA E PIMENTINHA





Waldemar Seyssel era o verdadeiro nome do palhaço Arrelia, que após fazer muito sucesso junto a seu irmão, o palhaço Aleluia, chega à televisão em 1951, com o programa "Circo do Arrelia"pela TV Paulista. Trouxe para a telinha um novo parceiro, seu sobrinho Walter Seyssel, chamado de Pimentinha. Estava formada aí, uma das maiores duplas cômicas da história da TV brasileira.
Todo mundo ria com as trapalhadas dessa dupla na TV. Seus bordões faziam sucesso entre a criançada. Em 1953, a dupla de palhaços troca de emissora e estreia na TV Record.


Página da hq Super-palhaço, escrita por Flávio de Souza, com desenhos de Messias de Mello

Capa de Messias de Mello

Não demorou muito para eles chegarem ao gibi. Estrearam nas bancas em 1956, pela Editora La Selva, com os belíssimos traços do desenhista Messias de Mello, este que também havia trabalhado no circo, bem antes, como cartazista, e até ajudara a montar e desmontar a lona. Messias foi um dos maiores desenhistas de sua época, lançou e influenciou muitos artistas, sendo reverenciado até hoje.
A revista durou até 1959. O programa de televisão foi bem mais duradouro chegando até 1974!




O Anão Teodorico, roteiro de Flávio de Souza, desenhos de Messias de Mello

*
 
ASSIM EU NÃO AGUENTO! - Torresmo
AGUEEEEENTAAAAA!!! - gritavam as crianças

FUZARCA E TORRESMO



Capa de Jayme Cortez

Nascido dentro do circo de seus pais, José Carlos Queirolo (Torresmo), fez carreira por todo o Brasil, junto ao seu parceiro cômico Albano Pereira (Fuzarca). A  dupla Fuzarca e Torresmo estreou na TV no dia 12 de outubro de 1950, como um presente da TV Tupi Difusora, para o Dia das Crianças. Dali em diante, passaram a participar de vários programas, fazendo sempre esquetes cômicas de grande sucesso. Tiveram gibi nas bancas de 1955 a 1959. Com a morte de Fuzarca em 1975, Torresmo passou a se apresentar com seu filho Pururuca.
História de Jayme Cortez. Desenhos de João Batista Queiroz, que foi um dos primeiros a
desenhar hqs Disney no Brasil




História de Jerônimo Monteiro


A dupla fez tanto sucesso que gravou vários discos. Esse é um deles.


*

O BOM MENINO, NÃO FAZ XIXI NA CAMA
O BOM MENINO, NÃO FAZ MALCRIAÇÃO...

HOJE TEM MARMELADA???
TEM! TEM! TEM!  
                                                           
CAREQUINHA E FRED


Também dentro de um circo, em 1915, nasceu George Savalla Gomes, o palhaço Carequinha. De longa carreira de sucesso nos palcos e no rádio nas décadas de 1930 e 1940, chegou à televisão em 1951, sendo o primeiro palhaço a ter um programa só seu, o Circo Bombril, chamado algum tempo depois de Circo do Carequinha. Ao lado de outro grande artista, o palhaço Fred, ele alegrava a criançada das décadas de 1950 e 1960.


Roteiro de Cláudio de Souza. Desenhos de João Batista Queiroz

Chegou aos quadrinhos em 1958, em histórias escritas por Cláudio de Souza e desenhadas por Julio Shimamoto e João Batista Queiroz.
Prosseguiu com sua carreira na TV, trabalhando em várias emissoras, sempre com atrações infantis. Comandou o programa "Circo Alegre" na TV Manchete  nos anos 1980, que foi precursor do "Clube da Criança" que lançou a apresentadora Xuxa.
Em 2005, com 90 anos, Carequinha interpretou a si mesmo na série "Hoje é Dia de Maria".

"Hoje o palhaço é figura secundária. Antigamente, era o querido do circo.
E a criança também mudou um pouco. Ela tinha aquele sorriso simples, comum.
Hoje, ela assiste a coisas indecentes na internet, escuta imoralidades na
televisão e se habitua a falar e a fazer tudo isso, infelizmente".
­

Carequinha

                                                        
OSCARITO E GRANDE OTELO


Anúncio de lançamento de OSCARITO E GRANDE OTELO em quadrinhos





Desde os cinco anos de idade, Oscarito já se apresentava no circo. Nascido em 1906, esse ator, comediante, acrobata e trapezista, também passou pelo teatro de revista, antes de chegar as telas de cinema. Através da Cia Cinematográfica Vera Cruz, estrelou filmes de grande sucesso na década de
1950, como Carnaval Atlântida, Dupla do Barulho e Matar ou Correr, sempre ao lado de seu fiel parceiro, o também ator e comediante Grande Otelo. Este, nascido em 1915, se apresentou no circo e no teatro de revista, antes de chegar ao cinema. Participou do primeiro filme da Atlântida, "Moleque Tião".


Página da hq O PANDEIRO MÁGICO, história de Flávio de Souza e
belíssimos desenhos de Messias de Mello

Durante a década de 1950, a dupla de comediantes reinou absoluta no cinema e na preferência do público, chamando a atenção da Editora La Selva, que entre 1957 e 1959, publicou um gibi mensal da dupla. Assim chegava às bancas, Oscarito e Grande Otelo em quadrinhos, com roteiros de Claúdio de
Souza, Alberto Maduar, entre outros. Os desenhos ficaram a cargo de Messias de Mello, João Batista Queiroz, Aylton Thomaz e Juarez Odilon.







MAZZAROPI




Amacio Mazzaropi nasceu em 1912 em São Paulo, mas foi criado na cidade de Tremembé, no interior. Começou a carreira contando anedotas e causos em apresentações no Circo La Paz. Em 1946, estreia na Radio Tupi, o programa Rancho Alegre, levado á TV em 1950, com o mesmo nome.
Em 1952, estreia seu primeiro filme, Sai da Frente, produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Nesse mesmo ano, cria sua própria produtora de filmes, e começa a colecionar sucessos. Sucessos que o levaram para as páginas de um gibi, lançado em 1956, também pela La Selva. A equipe da editora, utilizava fotos de Mazzaropi tiradas por Zaé Junior, como base para os desenhos.


Jayme Cortez fez as capas do número 1 ao número13


A partir do número 14, as capas passaram a ser assinadas por Izomar Camargo Guilherme

Essa primeira fase da revista foi até 1958 e saíram 14 numeros. Algum tempo depois, em 1965, a La Selva decide retornar com o título, lançando mais 20 edições, encerrando sua publicação em 1967. Jayme Cortez fazia a maioria das capas e também produzia os cartazes dos filmes de Mazzaropi.


Capa de Jayme Cortez


EDITORA LA SELVA

Fundada em 1950, a Editora La Selva enxergou no sucesso das duplas circenses e nos astros do cinema, uma oportunidade de criar revistas em quadrinhos nacionais. Seu proprietário Vito La Selva, já contava com uma equipe de colaboradores extremamente talentosa que cuidava das revistas da casa, principalmente a TERROR NEGRO, seu primeiro grande sucesso. Dessa equipe faziam parte: Reinaldo de Oliveira, Milton Julio, Claudio de Souza, Alberto Maduar, Flávio de Souza, Messias de Mello, João Batista Queiroz, Miguel Penteado, Aylton Thomaz, Izomar Camargo Guilherme, Gedeone Malagola, Nico Rosso, Sérgio Lima, Syllas Roberg, Jerônimo Monteiro, Julio Shimamoto, Juarez Odilon, Veneziano, José Fioroni Rodrigues e Jayme Cortez, como Diretor Artístico e Capista.
Funcionando em uma casa na V. Mariana, em São Paulo, o ambiente era sempre alegre e festivo, afinal de contas, quem comandava era uma família italiana.


Jayme Cortez e Mazzaropi na sede da Editora La Selva

Aos sábados e domigos eram oferecidos almoços e jantares a todo o elenco da casa, e tudo era motivo pra uma festa ou confraternização. Editando quadrinhos de terror, aventuras, clássicos da literatura e infantis, a La Selva prosseguiu até 1968, quando fechou as portas.


O QUE VEIO DEPOIS
Nas décadas seguintes, o circo e seus alegres palhaços continuaram a aparecer nas histórias em quadrinhos. Em 1972, chegava às bancas de jornais de todo o país, acompanhando de grande campanha, inclusive na TV, a revista SACARROLHA, uma criação de Primaggio Mantovi. Era o resultado de um concurso interno da Rio Gráfica e Editora, cujo ganhador receberia como prémio, a publicação de seu personagem e um contrato de três anos. Primaggio atingiu a marca de 36 edições, sempre retratando o ambiente alegre e festivo do circo, tendo o palhaço Sacarrolha como protagonista.



Na década de 1980, surge pela Editora Abril, o palhaço ALEGRIA, também em revista mensal. 

Criada por uma equipe comandada por Waldyr Igayara de Souza, o palhacinho acabou ficando com o copyright da Editora Abril e foi licenciada para vários produtos. Sua revista teve um total de 57 edições.
A TURMA DO LAMBE LAMBE, de Daniel Azulay, também tinha um pé no circo, através do personagem Tristinho. Derivado do programa de TV de grande sucesso, chegou aos quadrinhos via Editora Abril, também nos anos 1980. Também nessa década vemos surgir o palhaço BOZO (SBT) e a dupla ATCHIM E ESPIRRO.

Ainda surgiram outros que, mesmo não usando a roupa de palhaço, usavam e abusavam das mesmas brincadeiras e truques circenses para agradar às crianças, como SÉRGIO MALLANDRO e CHAVES, mas o maior palhaço televisivo que surgiu após a trupe de cômicos da década de 1950, foi Renato Aragão e o seu quarteto OS TRAPALHÕES. 
Herdeiro das tradições circenses, Renato Aragão declarou em entrevista que, aos quinze anos, chegou a assistir um filme com Oscarito dezoito vezes, e declarou: "Quero ser esse cara!" E partiu para realizar seu sonho.
Começou na TV nos anos 1960, juntou-se ao artista circense Manfried Sant'Anna (Dedé), depois a Mussum e Zacarias. Passaram por diversas emissoras até chegar à TV GLOBO em 1977 e se consagrarem junto ao público e crítica. É claro que virariam gibi, lançado em 1976, por Edmundo Rodrigues e a Bloch Editores. Em meados de 1979, o gibi passa a ser produzido pelo Estúdio Ely Barbosa e torna-se um grande sucesso, sendo lembrado até hoje.




A tradição circense está morrendo. Tudo hoje é muito mais sofisticado e tecnológico. O espetáculo que se fazia sob lonas e encantava adultos e crianças, não é mais o mesmo, embora ainda existam boas e grande companhias circenses. Na TV, eles ainda resistem, com moderado sucesso, vide a dupla Patatí Patatá.
As histórias em quadrinhos perpetuam a tradição e o mundo do circo. Apesar de serem difíceis de se achar, procurando com paciência nos sebos e sites de gibis antigos, ainda se encontra exemplares de clássicos como ARRELIA E PIMENTINHA, FUZARCA E TORRESMO, OSCARITO E GRANDE OTELO, que iniciaram a prática de se adaptar sucessos da TV para as hqs.
Sob o comando de Jayme Cortez, grandes desenhistas emprestaram seu talento para esses gibis e muitos inclusive, começaram sua carreira ali.  Um deles ainda está na ativa, e nos conta na segunda parte dessa matéria, como era produzir esses clássicos das hqs.



Na próxima semana:
PARTE 2

Entrevista com
 IZOMAR CAMARGO GUILHERME 



Bibliografia

www.infantv.com.br
www.maniadegibi.com
www.messiasdemello.com.br
www.museudomazzaropi
www.gibiraro.com.br - Kendi Sakamoto
www.sallesfanzineiro.blogspot.com.br
http://tonyfernandespegasus.blogspot.com.br/2012/01/editora-la-selva-imigrantes-italianos.html
Gonçalo Junior - A GUERRA DOS GIBIS - Cia das Letras
Bigorna.net





sábado, 23 de março de 2013

EDUARDO VETILLO LANÇA "AS AVENTURAS DE MARK TWAIN E TOM SAWYER"

Terceiro título da COLEÇÃO HQ SARAIVA é lançado em São Paulo.

Eduardo Vetillo lança na próxima terca-feira, dia 26 de março, seu mais novo trabalho em quadrinhos:
AS AVENTURAS DE MARK TWAIN E TOM SAWYER, pela Editora Saraiva.

Com roteiro de seu irmão, Walter Vetillo, a obra inventivamente conduz o leitor a acompanhar Mark Twain desde o seu nascimento até a produção de seus primeiros textos, chegando então à obra As Aventuras de Tom Sawyer, onde além de conhecer um pouco desse grande sucesso, compartilha também de seu processo de criação, quando o autor passa a dividir com ele suas ideias e dúvidas durante a produção da obra.

Com uma narrativa original, a obra é mais uma aposta no mercado de adaptações literárias, visando além do público em geral, sua escolha pelos programas de governo para ser adotada nas escolas.
Eduardo Vetillo desenhou muitas histórias e personagens ao longo de sua carreira, porém poucas pessoas conhecem, ou nem sabem que é dele determinado trabalho, pois sua versatilidade o fez passear pelo gênero infantil, pelo faroeste, juvenil, adulto, e muitas vezes, não lhe era permitido assinar seus trabalhos...enfim..são tantas histórias e personagens, que daria um livro sobre sua carreira. Enquanto ele não sai, apresento aqui um passeio pela vida e obra desse grande ilustrador brasileiro. 



Uma trajetória em quadrinhos

 

Eduardo Vetillo em CHET n. 21, junho de 1982, Editora Vecchi.

Nascido em São Paulo, Eduardo Vetillo começou sua carreira trabalhando em agências de propaganda. Foi para os EUA estudar, formando-se na Escola de Artes Visuais de Nova York e cursando também o Instituto de Artes de Minneapolis.

De volta ao Brasil, começou sua carreira nos quadrinhos. Seu traço realista o levou na década de 1970, a desenhar CHET, faroeste brasileiro criado por Lotário Vecchi, escrito por Wilde Portella e publicado pela extinta Editora Vecchi. De lá, saiu para ser colaborador do estúdio do desenhista Ely Barbosa, que além de trabalhar com seus próprios personagens, também fazia hqs por encomenda.
Foi assim que passou a desenhar os personagens de Hanna-Barbera, que saíam em títulos da RGE (atual Editora Globo). Em 1979, Ely Barbosa trouxe para seu estúdio a produção do gibi OS TRAPALHÕES (Ed. Bloch), e Vetillo passou então a trabalhar nas hqs desse quarteto que fazia grande sucesso na televisão. De 1979 até 1987, ano em que o gibi saiu das bancas, Vetillo produziu inúmeras histórias, tornando-se um dos principais desenhistas do título, tendo inclusive, muitas edições publicadas só com hqs suas.


Capa de Eduardo Vetillo para o gibi OS TRAPALHÕES, 1983, Bloch Editores. 



Isso motivou Edmundo Rodrigues, editor de hqs da exinta Bloch Editores, a convidá-lo a desenhar mais um título para a casa. Surgia então em 1983 a revista SPECTREMAN, baseada no seriado de televisão homônimo. Para adaptá-lo para os quadrinhos, Vetillo foi teve que ir ao Rio de Janeiro. Enquanto assistia os episódios no auditório da Rede Manchete, rascunhava sua versão para os quadrinhos. Com roteiros de Luis Antonio Aguiar, a revista foi um sucesso e teve no total 30 edições.

Com capas pintadas por artistas como Antonino Homobono e Nilton Mendonça, SPECTREMAN foi um grande sucesso nas bancas.

O traço do mestre Vetillo em SPECTREMAN, pela Bloch Editores.

Em 1987, com o fim do gibi dos TRAPALHÕES pela Bloch, Vetillo foi convidado a participar da nova versão em quadrinhos do quarteto, agora transformado em crianças por César Sandoval. Na edição de estreia pela Editora Abril, Vetillo mostra sua versatilidade assinando a última hq da revista, demonstrando assim seu talento também no gênero infantil.
De lá, partiu para o gibi do URTIGÃO, da mesma editora, cujas histórias eram produzidas no Brasil. Vale lembrar que a Disney e mesmo a Abril, exigiam que seus desenhistas seguissem rigorosamente os model-sheets dos personagens. Vetillo se destacou e desenhou muitas hqs do Urtigão, que depois foram exportadas para vários países.

Essa hq saiu no primeiro número do gibi OS TRAPALHÕES, versão infantil do quarteto que chegou às bancas em janeiro de 1988.


Hq publicada no gibi URTIGÃO n. 99, com cores de Alexandre Silva.
 Fevereiro de 1991, Editora Abril Jovem.

Em 1990, a Editora Globo lançou o gibi do CHAVES, grande sucesso da TV, criado pelo ator e escritor mexicano Roberto Gomez Bolãnos. Produzido inicialmente pelo estúdio de Ruy Perotti, logo abriu espaço para outros artistas e estúdios, como o CARTOON de Roberto e Rosana Munhoz, o TANGO de Sérgio Morettini e o INART de Eduardo Vetillo. O título fez muito sucesso e atendendo a uma sugestão do próprio Vetillo, a mesma editora lançou algum tempo depois a revista do CHAPOLIM, outro grande sucesso de Bolãnos.


Com isso a editora fez uma divisão de tarefas. A partir daí, as aventuras do CHAVES passaram a ser desenhadas exclusivamente por Sérgio Morettini, enquanto que as do CHAPOLIM, foram para as mãos de Vetillo. Ambas saíam nos dois títulos. Com CHAPOLIM, ele realizou um de seus melhores trabalhos, chegando a ser elogiado pelo próprio Bolãnos, durante uma breve visita ao Brasil.
Foram muitas histórias, especiais e almanaques, que reafirmaram o talento e profissionalismo desse mestre dos quadrinhos. 
CHAVES teve um total de 32 edições e CHAPOLIM encerrou sua carreira nas bancas com 15 números lançados.



Página dupla de Vetillo para CHAPOLIM, com cores minhas.

Durante a década de 1990, Vetillo também produziu várias revistas de atividades Disney para a Abril Jovem, como DUCK TALES, MINICRUZADAS DISNEY, CLÁSSICOS DISNEY, entre outras. Produziu também as atividades dos CAVALEIROS DO ZODÍACO, outro grande sucesso da TV, na época.
Após alguns anos dedicado aos quadrinhos infantis, Vetillo volta-se para o gênero juvenil/adulto, publicando na revista METAL PESADO número 5 (outubro de 1997), a hq GALTARES, com roteiro de Edson Valença e cores de J. Lages.


Página de GALTARES, publicada na revista METAL PESADO em 1999. 

No final da década de 1990 e início dos anos 2000, devido a recessão do mercado de hqs, Vetillo passa a ilustrar mais ativamente, livros didáticos e paradidáticos. 
Em 1999, bem antes do mercado redescobrir o filão das clássicos adaptados para os quadrinhos, (que se iniciou com a Coleção Clássicos da Literatura em Quadrinhos da Ed. Escala), Vetillo uniu-se ao seu irmão Walter e lançou pela Editora FTD, o belíssimo A GRANDE VIAGEM, quadrinizando a descoberta do Brasil. E essa união rendeu mais frutos. E acabou unindo de vez os dois irmãos, que, embora sempre trabalhassem sob o mesmo teto, tinham atividades distintas. Com a união do texto consistente e da narrativa sempre agradável de Walter, ao belo e despojado traço do seu irmão Eduardo, surgiram durante a década de 2000: O GUARANI, FAWCETT, PALMARES, SETE POVOS DAS MISSÕES, A SAGA DE CANUDOS, A ILÍADA, entre outras. Obras que atendem as necessidades do público escolar, e porisso são adotadas por todo o Brasil. Um detalhe a ser observado é que o seu trabalho em todos esses títulos, não emprega o uso do computador. Vetillo desenha, arte finaliza e pinta tudo à mão, algo cada vez mais difícil hoje em dia.

Álbuns em quadrinhos da dupla Walter e Eduardo Vetillo publicadas a partir do início da década de 2000, em editoras como CORTEZ, ELEMENTAR e BRASILIENSE.






Quadrinhos pintados à mão, para o álbum PALMARES, Cortez Editora.


Capa com arte de Eduardo Vetillo para o gibi da EMÍLIA, publicada pela Editora Globo em 2007.

Mesmo com o trabalho de adaptação de clássicos e de fatos históricos para as hqs, Vetillo voltou aos quadrinhos de bancas em 2007, nas revistas do SÍTIO DO PICAPAU AMARELO pela Editora Globo. Foi homenageado em 2011 pelo TROFÉU ANGELO AGOSTINI, sendo agraciado como Mestre do Quadrinho Nacional, como muitos já o chamavam. Em toda a sua carreira, trabalhou com muitos artistas e lançou outros também. Bira Dantas foi seu assistente. Rosana Valin (arte finalista da TURMA DA MÔNICA JOVEM) fez arte final de quase tudo que ele produziu durante a década de 1990. Vera Tolaine coloria SPECTREMAN. Eu também fui seu colorista em diferentes títulos.
Em OS TRAPALHÕES, onde comecei minha carreira, foram muitas histórias. Nas revistas de ATIVIDADES DISNEY, fazia diagramação. Mas foi no gibi do CHAPOLIM, que fizemos uma bela parceria. Fui seu colorista principal, trabalhando em quase toda a série.

Atualmente Eduardo e Walter, dividem um belo estúdio/apartamento em Alphaville, na Grande São Paulo. De lá, esses incansáveis artistas continuam criando, sem parar, histórias e mais histórias em quadrinhos.
Como esta, AS AVENTURAS DE MARK TWAIN E TOM SAWYER, que está sendo lançada pela Saraiva. E como eles não param de criar, vem mais por aí. Sorte nossa!


Página de AS AVENTURAS DE MARK TWAIN E TOM SAWYER, Editora Saraiva, 2013.






,


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

INVENTANDO HISTÓRIAS

A trajetória do desenhista Fernando Ventura

Uma das primeiras hqs Disney do artista. Publicada em 2000.

O que você faria se, aos 21 anos de idade descobrisse, que o que você escolheu como profissão simplesmente deixou de existir? Ou que você sonhava entrar em uma empresa, e quando consegue entrar, ela vai á falência? Muitos desistiriam, diante de tal situação.
Não foi o caso do quadrinhista Fernando Ventura. Nascido em 1980, sempre foi um ávido leitor de gibis. Principalmente os títulos Disney. E de leitor e colecionador, passou a se interessar pela arte, despertando em si, o dom que estava lá, escondido.

Inventando histórias, ele foi treinando e aprimorando, mas precisava de um mestre, um guia, uma referência. E buscou no mercado, um dos melhores que, por sorte, acabara de abrir uma escola para ensinar jovens talentosos como ele. 
Quando entrou na Escola de Arte de Waldyr Igayara, sabia que estava em boas mãos. Afinal, ele  foi um dos primeiros a desenhar hqs Disney no Brasil, além de ter dirigido as suas publicações na Editora Abril por bastante tempo. E foi o mestre, que o indicou para um teste na Redação Disney.
Inventando histórias, criando, desenhando, ele conseguiu a tão sonhada oportunidade: mostrar seu talento nos quadrinhos Disney. 



Página da hq O PLÁSTICO BOLHA, clássica hq de Fernando Ventura.

Como que um marinheiro, que sonha em navegar em mares calmos, ele literalmente (sem querer ser grosseiro), entrou em um barco afundando, no meio de uma tempestade. Ora, no final da década de 1990, os quadrinhos Disney seguiam sem rumo, perdendo público. Toda uma geração de artistas havia sido mandada embora em 1997, de uma vez só. A solução para prosseguir, foi terceirizar a produção e baratear as revistas. Assim, muitos artistas viraram pessoa jurídica para continuar trabalhando e muita gente nova entrou. Ventura entrou aí.

 Através do estúdio de Orlando Paes Filho (autor da série de livros ANGUS), entraram, não só ele, mas também Dave Santana, Markus Correa,  Nelson Pereira, Toni Caputo. Competentes artistas. Sonho realizado, Ventura tratou de botar a mão na massa e criar.

E como sempre foi em sua vida, inventando histórias, ele surpreendeu o público com roteiros mirabolantes, com um traço inovador, moderno, com a clara intenção de adentrar o século XXI, apresentando uma Disney renovada, antenada com esse novo público nascido na era da internet. Mas era tarde demais. Com urgência de resultados, e sem esperar o público voltar e conhecer o que eles estavam fazendo, a editora decide cancelar toda a produção de novas histórias. 




A partir daí, só republicação. Fernando Ventura, que tanto sonhara com a oportunidade, consegue desfrutar desse sonho por pouco mais de dois anos.
E agora, o que fazer? Trabalhar com hqs Disney era a sua vida! Chegou a dizer para si mesmo que havia nascido em época errada! Porque chegar logo agora quando tudo estava acabando? Mas tal e qual nas histórias, quando no meio da tempestade, o barco vira com todo mundo, ele escapa e segue em frente remando em um pedaço de madeira. 

Não tem mais nada novo? Foi colorir as hqs antigas. Foi ensinar desenhar os patos na televisão,  foi traduzir e desenhar hqs para a Dinamarca. Foi criar e organizar, junto ao roteirista Arthur Faria jr, o braço brasileiro do INDUCKS, base mundial de dados, que cataloga e credita todas as hqs produzidas com os personagens Disney.

Página da hq ACRESCENTANDO UMA TORNEIRA, produção inédita de Fernando Ventura, para o especial ZÉ CARIOCA 70 anos, Volume 2


Como que, não querendo aceitar que tudo tinha acabado, ele continuou inventado histórias, que muitos diziam que nunca seriam publicadas, que era um trabalho perdido. Com uma perseverança incomum, ele atravessou a década passada, criando para si mesmo, roteiros e desenhos, dando vida aos personagens Disney por aqui, mesmo tudo tendo o mesmo destino: a gaveta.

Inventando histórias, ele inventou uma para si mesmo: a de um artista em plena atividade em uma época que já não existia mais. E acreditando nessa utopia, ele acabou transformando-a em realidade.

A partir de fevereiro de 2013 a revista do Zé Carioca, passou a ter pelo menos uma hq inédita em sua edição.
Na estreia: Fernando Ventura, em uma história escrita, desenhada e colorizada por ele.

Inventando histórias e acreditando nelas, ele tenta trazer de volta uma época, onde o Brasil era um dos maiores produtores de hqs Disney do mundo.
Vai dar certo? Vai durar? Não importa! TUDO já valeu a pena!


Capa da edição histórica de ZÉ CARIOCA, n. 2380, que traz de volta  a produção de hqs Disney no Brasil.