quinta-feira, 30 de junho de 2011

O MUNDO MARAVILHOSO DE ELY BARBOSA



Tudo tem um começo. Tudo tem uma explicação. Até nas hqs, os personagens nascem, e vão se desenvolvendo aos poucos. Em muitos títulos, no número 1, são apresentados os personagens, os vilões, as tramas e como os seus heróis nasceram, como conseguiram tais poderes e por aí vai. Mas comecei tocando nesse assunto para falar de uma edição que é muito difícil de se achar, mesmo em sebos. Estou falando do número 1 de CACÁ E SUA TURMA, lançamento de fevereiro de 1977. A Editora Abril resolveu investir nos personagens, devido ao sucesso de suas aparições no Programa Sílvio Santos, transmitido aos domingos pela TV Tupi e Record, através de vinhetas, animações e também pelo sucesso da coleção de livros SÍLVIO SANTOS PARA CRIANÇAS, editada pela Bloch, onde os personagens Lili e Dentinho interpretavam clássicos da literatura infantil, narrados pelo apresentador Sílvio Santos.
Esse primeiro número de CACÁ, é também a primeira revista em quadrinhos de Ely Barbosa, desenhista e publicitário que fez carreira nos comerciais de TV (quem não se lembra da "pulguinha dançando iê, iê, iê" da DDDRIN), e produziu o primeiro desenho animado a cores do cinema brasileiro, As aventuras do Tio Maneco. Ely começou a investir em hqs, depois que Sílvio Santos desistiu de produzir junto a ele um desenho em longa metragem com os personagens de Monteiro Lobato.
Na primeira história de CACÁ E SUA TURMA nº 1, é contada a origem das fantasias que os personagens Lili e Dentinho vestiam nas vinhetas para a tv, e nos comerciais. Fantasias encantadas, que transportavam os personagens para um mundo cheio de magia e encantamento.
Na segunda, "Edgar, o incrível sapo cantor", o mesmo personagem da coleção de livrinhos da Bloch estava de volta, com uma curiosidade: o apresentador Silvio Santos e seu braço direito Luciano Callegari virariam personagens de hq. A história se desenrola durante a gravação do programa Show de Calouros, para onde Cacá, Lili e Dentinho levam o tal sapo Edgar para tentar a carreira artística.

Nessa época Ely trabalhava com Silvio, que era dono dos "Studios Silvio Santos de Cinema e Televisão", que ocupavam o antigo endereço da extinta TV Excelsior, na Vila Guilherme. Também nessa época, Silvio acabava de ganhar a concessão de um canal de tv, inicialmente no Rio de Janeiro, e que depois tornou-se o SBT, Sistema Brasileiro de Televisão, com sede em São paulo. O roteiro é hilário, com grandes sacadas.


Página da hq, EDGAR, O INCRÍVEL SAPO CANTOR, onde se pode ver os "personagens" Silvio Santos e Luciano Calegari, CACÁ, n. 1, fevereiro de 1977.

Na terceira, é contado o nascimento do João Banana, um dos personagens mais populares de Ely, e na quarta hq, a origem do Escovão, o coelhinho amarelo, namorado da Fofura, que tanto encantou as crianças.
Com tudo isso, essa edição torna-se mais do que especial. Ela é o início do "MUNDO MARAVILHOSO DE ELY BARBOSA", que se materializou em dezenas de produtos no mercado.
De calçados, camisetas e brinquedos, a jogos de cama e velas de aniversário.

Essa primeira fase da revista durou 8 números, saiu de circulação e só voltou as bancas em fevereiro de 1980 pela Rio Gráfica e Editora (atual Editora Globo). Nessa segunda fase ganharam mais destaque Os Íncriveis Amendoins e os Tutti Frutti. Devido ao sucesso, os personagens chegaram à televisão em 1983, nos programas TV TUTTI FRUTTI e BOA NOITE, AMIGUINHOS, produzidos pelo Estudio Ely Barbosa e veiculados pela TV Bandeirantes. Na esteira do programa chegou às lojas o LP "A MÚSICA MARAVILHOSA DA TV TUTTI FRUTTI", e no teatro era encenada a peça "UM PASSEIO NO COMETA", lancada algum tempo depois em VHS, pela Globo Vídeo.



Folheto de lançamento de Cacá e sua turma, pela RGE.

Numero 1 de CACÁ E SUA TURMA, pela RGE, fevereiro de 1980.
Teve até comercial de TV, na Globo.



Em 1987, chegam as bancas pela Editora Abril três revistas de Ely Barbosa em substituição as de Maurício de Sousa, que mudaram de editora. Nessa terceira fase, da qual eu participei, não aparecem Os Tutti Fruttis e nem os Amendoins. A Lili, o Dentinho e o cãozinho Cacá também sumiram. As grandes estrelas são Nenê, Fofura e Escovão protagonistas da TURMA DA FOFURA (mensal, 64 págs.). O Gordo que tinha suas aventuras publicadas desde o CACÁ de 1977, ganha revista própria, O GORDO E CIA (quinzenal, 34 págs.). E uma nova turma é lançada na revista PATRÍCIA, (quinzenal, 34 págs.).

Este anúncio, com os personagens convidava novos talentos para trabalhar no Estúdio. E assim vieram: Paulo Borges, Denise Ortega, Tomaz Edson, José Wilson Magalhães, Tina Glória, Sandro Cleuzo, Edde Wagner, Sérgio Morettini e muitos outros. Início de 1987. 


Nos anos 1990, com o fim das revistas, Ely dedicou-se a livros infantis, lançados por várias editoras, como FTD, Maltese, Paulus e nas Paulinas, onde obteve o seu maior sucesso com a série ONDE ESTAMOS, que ainda se encontra nas livrarias.

E quase como para fechar a carreira com chave de ouro, em 2002, o Grupo Sílvio Santos relança com grande sucesso a mesma coleção de livrinhos da década de 70, com narração do apresentador. As artes foram todas refeitas e atualizadas por desenhistas como Mingo de Souza e Ademir Pontes. A fita cassete, foi substituída pelo CD. Mas a essência da obra esta lá. Após esse grande trabalho, Ely foi acometido pelo mal de Parkinson, vindo a falecer em 19 de janeiro de 2007.
Por tudo isso que contei é que o número 1 de CACÁ E SUA TURMA de 1977, é especial.
É o começo dessa maravilhosa história, desse grande artista que tantos outros formou, espalhou alegria e encantamento em quem viveu sua infância entre 1970 e 1990, e deixou muitas saudades.

Quer conhecer mais? Nos sebos, encontra-se muitos exemplares das revistas de Ely.
No facebook, tem o Clube do Ely Barbosa, criado pelo amigo Edson Parisotto, este que também trabalhou no estúdio como eu e produziu o site do Ely, que infelizmente saiu do ar. Acesse:  www.facebook.com/ely.rubens.barbosa onde você vai encontrar várias tiras e hqs dos personagens, o blog http://elybarbosaoficial.blogspot.com/  do amigo Wagner Moloch, e no Youtube, muitos vídeos dos programas postados pelo filho de Ely, Otávio Barbosa.

Dizem que a memória do brasileiro é curta. Mas quando se toca o coração, a gente não esquece nunca mais.





O Jornalzinho do Cacá, era encartado dentro do tablóide Metrô News, distribuído gratuitamente. Foi lançado com uma grande festa na Praça da Sé, em São Paulo, em 15 de março de 1981.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

NOS TEMPOS DE CONAN, O BÁRBARO

                         Capa de CONAN EM CORES n. 5, Dezembro de 1989. Todas as hqs colorizadas no Brasil.

O título A ESPADA SELVAGEM DE CONAN, foi um dos maiores sucessos da extinta EDITORA ABRIL JOVEM, nas décadas de 1980 e 1990.  A criação máxima de Robert E. Howard, chegou ao  Brasil em 1984 em uma revista mensal, formatão, trazendo histórias em preto e branco publicadas originalmente na revista SAVAGE SWORD OF CONAN, lançada nos EUA em 1974. Devido ao sucesso, o personagem se desdobrou em vários títulos, e um deles, foi CONAN EM CORES. A ideia era apresentar hqs especiais de CONAN totalmente coloridas. Devido a falta de material, algumas hqs foram colorizadas por aqui, e foi aí que surgiu a oportunidade de trabalhar com um dos meus personagens preferidos. No número 5, é publicada a premiada SAGA DO CERCO DE MAKALET, escrita por Roy Thomas e desenhada por Barry Windsor-Smith. A primeira hq, FALCÕES DO MAR, tem cores de Sérgio Furlani, que era um dos chefes de arte da época na Abril Jovem. A segunda, A VINGANÇA DO CÃO NEGRO, foi colorizada por Flávio de Barros. A terceira foi feita por mim. Chama-se o MONSTRO DOS MONÓLITOS. Pintada á mão, com ecoline (aquarela líquida) sobre um papel canson, com a história impressa em azul (chamávamos cianográfica), para depois soprepor o filme do preto.Outro colorista bastante atuante nessa série era Noriatsu Yoshikawa.
 Esse número 5, já anunciava na última página que seria publicada na próxima edição, uma das hqs mais esperadas pelos leitores: A RESSURREIÇÃO DE BÊLIT. Nela, um feiticeiro promete a CONAN trazer de volta à vida, sua amada Bêlit, a "Rainha da Costa Negra". Mas para isso a guerreira Sonja tem que morrer. Uma grande história, escrita por Roy Thomas e ilustrada por dois grandes artistas: John Buscema e Ernie Chan. Eu tive um enorme prazer em também fazer as cores para essa edição, que também tinha uma outra história, A FARSA, com cores novamente do grande Sérgio Furlani. 

Primeira página de A RESSUREIÇÃO DE BÊLIT. (maio, 1990)

Esta é uma amostra do canson (com impressão em azul), onde o colorista aplicava as cores com pincel. Reparem no rodapé, o carimbo como referência para a gráfica.
                                                          Mesma página, agora impressa.

CONAN EM CORES, teve 13 números, publicando somente histórias especiais de um dos maiores personagens das hqs, imortalizado no cinema pelo ator Arnold Schwarzenegger  e publicado em vários outros títulos como CONAN REI, CONAN, O BÁRBARO e que infelizmente saiu de nossas bancas a pouco tempo. Esperamos que volte em breve, mas enquanto isso, os sebos fazem a alegria dos fãs, mantendo em estoque muitas edições do nosso valoroso cimério.

sábado, 4 de junho de 2011

ESTUDIO SERGIO TASTALDI, O PRIMEIRO CONTATO COM A ANIMAÇÃO

Sérgio Tastaldi e eu, nos reencontramos 25 anos depois, na noite fria de 02/06, na FNAC Pinheiros. Aluno e professor, amizade para sempre.

Lá, no início da década de 1980, uma escola aqui em São Paulo era inaugurada com a missão de ensinar a técnica da animação para crianças e adultos. Era o ESTÚDIO SÉRGIO TASTALDI, que funcionava na Al. Gabriel Monteiro da Silva, no Jardim América. Em 1982, eu li alguma coisa a respeito do estúdio e lá fui eu, me matricular. Quem me recebeu foi o próprio Sérgio Tastaldi, cartunista, músico, ator e animador. Eu já conhecia o seu trabalho através da tv: era dele os desenhos que ilustravam as matérias do saudoso GLOBINHO, apresentado por Paula Saldanha, na década de 70. Tastaldi não só me recebeu muito bem, como vendo a minha dificuldade em ingressar no curso, devido ao seu custo, alto para um jovem que ganhava pouco como office-boy, fez um grande desconto nas mensalidades, para que eu pudesse pagar. E lá ia eu, todos os sábados. Do Brás, onde eu morava, pegava o ônibus elétrico Pinheiros-Belém, e cheio de alegria e esperança, ia frequentar as aulas naquele maravilhoso estúdio. Você criava o seu desenho animado, fazia as artes, pintava os acetatos,e ao final, filmava e via seu desenho pronto, exibido para os outros alunos.
Durante o tempo em que frequentei as aulas, Tastaldi me propôs um emprego, para que eu pudesse ficar mais tempo lá, desenhando, mas na época não pude ir. o Estúdio realizou vários eventos destinados ao desenho animado, como o I ENCONTRO BRASILEIRO DO CINEMA DE ANIMAÇÃO, realizado no MIS-Museu da Imagem e do Som, com palestras de grandes feras, como Walbercy Camargo, Marcos Magalhães (hoje diretor do ANIMA MUNDI|), Ely Barbosa, Daniel Messias e Mauricio de Sousa. Lá, durante o evento, o público era convidado a desenhar uma sequência de um desenho animado que ia sendo feito durante o evento por todos. No último dia, o desenho foi exibido para todo o público. Na sequência, veio a FEIRA DO DESENHO ANIMADO, no Sesc Pompéia em 1983, onde havia várias oficinas, palestras, e exibições, talvez o embrião do ANIMA MUNDI que vemos hoje. Teve também a FESTA DO BICHO DE GOIABA, personagem criado por Tastaldi para o programa homônimo da TV Radiobrás. Realizado também no Sesc Pompeia, tinha exibições de vídeo e exposição fotográfica de como se fazia um desenho animado.




Antes, bem antes do ANIMA MUNDI existir, tinha a FEIRA DO DESENHO ANIMADO no Sesc Pompeia. Matéria publicada no JORNAL DA TARDE, 1983.


Perdi contato com Tastaldi, quando saí do curso em 1984. Algum tempo depois ele estreou na TV GAZETA o programa LIG-O-PUG, com bonecos animados, ao estilo do personagem Capivara que já participava do programa REALCE com Beto Rivera, na mesma emissora. Depois passei a ler notícias a seu respeito em jornais e revistas devido ao sucesso de suas produções teatrais com A TURMA DO PAPUM de bonecos manipulados. Trabalhos que percorrem o Brasil e o exterior. Hoje reencontro meu velho amigo e professor, com um sucesso estrondoso no teatro de bonecos, na publicidade e tv. Residindo em Florianópolis, me procurou durante a sua estada em São Paulo na semana passada. Foi um presente pra mim,
 no ano em que completo 25 anos de carreira. O seu estúdio foi o meu primeiro contato com esse mundo maravilhoso da animação, dos quadrinhos, das artes em geral. E foi o meu grande estímulo para continuar investindo em meu sonho de trabalhar com tudo isso. Obrigado, Véio Tasta!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

STREET FIGHTER: O SUCESSO DA VERSÃO BRASILEIRA

CAPA DO NUMERO 1 DE STREET FIGHTER, ED. ESCALA, 1994

Na década de 1990, uma revista em quadrinhos produzida no Brasil fez bastante sucesso, utilizando-se de personagens de um famoso video game. Era a revista STREET FIGHTER. Ela chegou ao Brasil em 1994 pelas mãos da Editora ESCALA. Era no início, apenas a tradução da versão americana, produzida pela Malibu Comics, baseada no jogo de sucesso da CAPCOM. Com isso a  novata ESCALA entrava com mais um título de quadrinhos nas bancas, buscando cada vez mais a preferência dos leitores. A tradução e edição da revista foi entregue a Marcelo Cassaro e as letras à Miriam Tomi. Porém a série durou pouco nos EUA, pois a CAPCOM exigiu seu cancelamento, devido a absurdos cometidos pelos seus roteiristas, como por exemplo, a morte trágica de um dos principais personagens. Com o fim do gibi americano, a ESCALA tentou publicar as oito edições do mangá original japonês, sem sucesso. Decidiu-se então continuar a revista por aqui, com roteiros e desenhos brasileiros, expediente já utilizado por outras editoras, como a ABRIL, com ZÉ CARIOCA, LULUZINHA, HE-MAN, e outros.
A partir do número 4, surge então a nova STREET FIGHTER, com roteiro de Marcelo Cassaro, desenhos de Arthur Garcia e João Pacheco, e arte final de Toninho Lima, Alexandre Silva (meu xará) e José Wilson Magalhães. A partir do número 6, com a saída de Cassaro da ESCALA, entra o desenhista e roteirista Alexandre Nagado, que começa uma nova versão da história, ressuscitando, inclusive o Ken, personagem que havia morrido na versão da Malibu. E aí a revista deslancha. O sucesso é estrondoso, fazendo a editora investir cada vez mais na publicação, como passar do formato comic book para o formatinho e dobrar o seu número de páginas, das 24 iniciais para 48, com capa dupla! Isso aconteceu a partir da edição 14.
CAPA DO NUMERO 4, A PRIMEIRA COM PRODUÇÃO NACIONAL.


A revista movimentou um grande número de artistas brasileiros, que participaram da produção, como os já citados acima e mais: Lilian Mitsunaga, Neide Harue, Douglas Alves, Silvio Spotti, Alvaro Omine, Sonia Uemura, Noriatsu Yoshikawa, Rodrigo de Góes e este que vos escreve.
Depois da edição 16, entraria a minissérie AKUMA, a primeira escrita pelo novo editor, Rodrigo de Góes. Porém aconteceram vários problemas durante a produção, e a revista ficou fora de circulação durante um tempo. O colorista, meu amigo Noriatsu Yoshikawa, então contratado da ABRIL, estava atrasado com a colorização. A solução encontrada, foi entrar com outra história, até que a produção desta se concluísse. Aí, eu sou convidado a entrar na revista e faço a minha estreia no número 17, com novo formato (americano), colorizando a historia CASSINO, de Rodrigo de Góes, uma incursão dos personagens no universo da espionagem, bem ao estilo de James Bond.
CAPA DO NUMERO 17, MINHA ESTREIA NA REVISTA COMO COLORISTA
Colorizei a edição inteira e participei da seguinte também (número 18), trabalhando em cima dos belíssimos desenhos do meu amigo Arthur Garcia, com a competente arte final de Silvio Spotti. Com a saída de Noriatsu da revista, acabei concluindo a minissérie em três edições AKUMA, fazendo a última delas. Assim, na edição 19, finalmente chega as bancas a primeira parte de AKUMA, introduzindo novos personagens, em uma história simplesmente eletrizante.
CAPA DO NUMERO 18. TODAS AS CAPAS E PAGINAS PINTADAS Á MÃO, COM ECOLINE (AQUARELA LÍQUIDA)

Com a chegada do número 20 nas bancas, uma triste notícia: a revista seria cancelada. Até hoje, naõ sei realmente o motivo, pois ela vendia bem. Com certeza, problemas contratuais, impediram os leitores de conhecerem o final da saga de AKUMA, que sairia no número 21, pintado por mim e nunca publicado. Fiz também a colorização do número 22, que permanece também inédita. Algum tempo depois, STREET FIGHTER voltou as bancas pela Editora TRAMA, retomando os personagens que apareceram na saga de AKUMA, em uma nova minissérie, escrita por Marcelo Cassaro, desenhada pela Erica Awano (Holy Avenger) e colorizada por Wagner Fukuhara. Mas nem de longe fez o sucesso que a série da ESCALA fez durante três anos, um feito para uma revista brasileira, mesmo que utilizando personagens de fora. É o trabalho preferido do grande Alexandre Nagado, sem dúvida nenhuma, um dos grandes responsáveis pelo sucesso da revista, criador de grandes e emocionantes sagas. Trabalho preferido também do mestre Arthur Garcia, desenhista da série, brilhante, com suas capas duplas, diagramação dos quadros arrojada, e cenas de tirar o fôlego. E inesquecível para mim, que entrei no finalzinho, fazendo apenas 4 edições (só saíram duas, nas bancas), mas tenho um orgulho enorme de ter participado desse grande gibi.

CAPA INÉDITA DA EDIÇÃO 21, COM A CONCLUSÃO DE "AKUMA".

domingo, 1 de maio de 2011

DREADSTAR, A CRIAÇÃO MÁXIMA DE JIM STARLIN

CAPA DO NUMERO 1

Em julho de 1990, a Editora Globo colocava nas bancas o seu primeiro título mensal de super-heróis: DREADSTAR, O GUERREIRO DAS ESTRELAS. Era a primeira investida num terreno dominado pela ABRIL JOVEM, que a alguns anos detinha os direitos de publicação dos títulos das duas maiores editoras de hqs dos EUA, Marvel e DC. Um ano antes, a mesma já havia se lançado com grande sucesso no ramo das minisséries com ORQUÍDEA NEGRA, de Neil Gaiman e Dave Mckean, abalando os alicerces da poderosa ABRIL JOVEM.
DREADSTAR, escrita e desenhada por Jim Starlin, é uma saga interplanetária que conta a história de um homem, Vanth Dreadstar, sobrevivente de uma explosão que devastou a Via Láctea, que acaba se envolvendo em uma guerra envolvendo duas forças, a Instrumentalidade, comandada pelo vilão Lorde Papal, e a Monarquia.



Nessa série da Editora Globo, fui chamado para fazer o DECORADO das paginas, pelo ESTÚDIO IMAGIA, do meu grande amigo Nilton Sperb (hoje morando nos EUA). Mas o que seria DECORADO???? Bem, antes do computador ser utilizado para diagramar livros e revistas, tudo era feito na prancheta, com régua, cola e tinta nanquim. As hístórias chegavam da matriz americana em uma cópia PB, chamada "bromuro", e precisávamos remontá-la para ser publicada em formatinho (do tamanho das revistas da MÔNICA). Acontece que, na remontagem, tinhamos que recortar os balões em inglês, e redesenhá-los, com o letreiramento em português. Isso deixava "buracos" no desenho, pois, na tradução, muitas vezes, o texto ficava menor, e consequentemente o balão também. Esses "buracos", eram "decorados", ou seja desenhados por nós, aqui no Brasil, imitando o estilo do desenhista original. Completávamos cenários, personagens, ás vezes, mãos, pés, coisas que não apareciam, pois ficavam atrás de balões,e agora teriam que aparecer...tudo feito a caneta de nanquim. Todos os títulos da ABRIL JOVEM e da GLOBO passavam por esse processo.
Era uma MARAVILHA pegar cenas de mestres como Jim Starlin e ter a honra e o prazer de  completar a cena com o próprio traço!!!

Nessa página, para imitar o tratamento de cores aplicado na ultima cena, recorri a uma escovinha de dentes, borrifando tinta ecoline, para completar as laterais e em volta dos balões.

Em DREADSTAR, fiz esse trabalho a partir da edição 2 e fiquei até o final, na edição 10. Esta série dispunha de um tratamento diferenciado na arte, por ser do selo EPIC da MARVEL, que permitia certas ousadias. Cenas inteiras sangravam nas páginas fazendo uma diagramação arrojada, outras eram pintadas bem ao estilo de Alex Ross, á mão, e isso a diferenciava dos demais títulos de super heróis da época.
A trama se desenrolava em capítulos, você tinha que esperar a edição seguinte para continuar acompanhado a história, que continha todos os chavões do gênero hq: referências bíblicas, espadas mágicas, paixões, extraterrestres, nascimentos e mortes.
Por problemas de contrato, a GLOBO encerrou a série no número 10, com uma tiragem que beirava os 30.000 exemplares. Uma excelente hq, muito bem escrita e desenhada por Jim Starlin e que deixou muitas saudades em mim, pois pude participar da versão brasileira, fazendo um trabalho que desapareceu, assim como outros ofícios que ficaram pra trás, perdidos no tempo, como past-up, titulador...epa, mas o que é isso?

domingo, 20 de março de 2011

COLORINDO "PULSAR", DE ARTHUR GARCIA

Primeira página da saga de PULSAR , na revista FORÇA ÔMEGA de 1994. É assim, desmemoriado e sozinho num banco de trem, que PULSAR ressurge 20 anos depois de ter sido perseguido pela ditadura militar.


Em 1994, chegava ás bancas, o primeiro número de FORÇA ÔMEGA, a primeira revista em quadrinhos brasileira de super-heróis, totalmente colorida. Uma grande investida da Editora Escala, que estava iniciando suas atividades no mercado de hqs e buscava apostar em títulos nacionais. Na revista, duas séries distintas: a própria FORÇA ÔMEGA, e a saga de PULSAR, criações de ARTHUR GARCIA E JOÃO PACHECO. Fui convidado a colorizar as duas séries, pelo ARTHUR GARCIA, um dos maiores desenhistas brasileiros, ganhador do prêmio "o Mosquito", em Portugal e do Troféu HQ MIX em 1995 e 1996. Iniciamos aí uma parceria que se estende até hoje, em vários trabalhos. A saga de PULSAR, obteve mais sucesso, com uma história apaixonante sobre um herói nascido na época da ditadura militar no Brasil. A história começa em 1972, quando os militares decidem eliminar os super-heróis existentes no Brasil, acusandos-os de subversão. PULSAR escapa, e reaparece, como mostra a página acima, nos dias atuais e quer descobrir o que aconteceu com ele e com seus amigos. Na cor, tive a ajuda de grandes parceiros, como Fabio Sliachticas, Aparecido Norberto (Cidão) e Vera Tolaine.
Retomada da saga de PULSAR, em 1995, na revista MASTER COMICS, editada por Alexandre Nagado.


A revista FORÇA ÔMEGA, teve apenas três edições, deixando sem conclusão a primeira parte da saga de PULSAR denominada OS ARQUIVOS DE JUDAS. Porém, em 1995, PULSAR volta na revista MASTER COMICS, também da Escala,  para um acerto de contas com seu arquiinimigo MESTRE SATÂNICO, que possuindo o corpo do General Euler, seu carrasco na época da ditadura, quer eliminá-lo a qualquer custo. O confronto se dá, nada mais nada menos, que na Avenida Paulista, símbolo de São Paulo. Esta segunda parte denominada DIAS DE TROVÃO, foi concluída em três edições, e foi brilhantemente desenhada por Arthur Garcia, colorizada por mim, e com arte final de Alex Silva, Silvio Spotti e Vanderlei Feliciano. A história é dedicada a João Pacheco, co-criador do personagem, que falecera precocemente naquele ano.
PULSAR, reapareceu para os leitores em dezembro de 2008, em uma história inédita, na revista TEMPESTADE CEREBRAL, de Alex Mir.
Primeira página do último capítulo de DIAS DE TROVÃO. Master Comics, Editora Escala, 1995.

quarta-feira, 2 de março de 2011

MEU MELHOR TRABALHO NUNCA FEITO

1991 foi um ano de grandes realizações. Pessoais e profissionais. Foi o ano em que eu me casei com a Terezinha, portanto, estamos comemorando 20 anos de casamento! Foi o ano em que eu participei do projeto Graphic Disney PATRULHA DO UNIVERSO, que eu considero o meu melhor trabalho de colorização de quadrinhos, o qual eu já comentei neste blog. Mas meu melhor trabalho poderia ter sido outro. Que nunca foi feito. Vou explicar. Depois do lançamento da PATRULHA em abril de 1991, eu fui chamado para vários trabalhos de colorização. O pessoal gostou do que viu nas bancas e pipocava trabalho de todo lado. Bom para um cara que acabara de se casar, cheio de contas pra pagar, viagem, aluguel, móveis, enfim, aquelas coisas de recem-casado mesmo. E aí, meu amigo Sérgio Furlani (Pardal), me chama num canto do Estúdio Disney da Abril Jovem, e diz que pegou um trabalho, mas não poderá fazer. E me pergunta se eu não quero substituí-lo. Sem pestanejar, digo SIM, claro, com tanta conta pra pagar! Pardal me passou o telefone e eu liguei pra ele. Marcamos após o expediente da Abril, em um estúdio no Alto da Boa Vista. Chegando lá ele se apresenta. LUIS GÊ, em pessoa!!! Eu estremeço! Cara, eu sempre fui fã dele, acompanhava seu trabalho desde TUBARÕES VOADORES do Arrigo Barnabé, aos seus quadrinhos na revista CIRCO. Adorava seu traço e, de repente, eu estava de frente com ele! E ele começa a explicar o que seria o trabalho. Queria uma colorização leve, com aquarela líquida (ecoline) em cima do seu traço á lapis, para depois com a cor de base, trabalhar em cima com grafismos e nuances. E eu também o ajudaria nessa parte. Seria um trabalho a quatro mãos, com um prazo apertadíssimo para suas 66 páginas. Durante uma semana fui ao estúdio dele á noite. Um assistente passava seu desenho na mesa de luz para uma folha de Schoeller A3, para que eu pudesse colorir em cima. Desenhos grandes, enormes. Grandes cenários e detalhes. Fazia um, não ficava bom, pedia pra passar de novo e refazia. Tinha que ficar cem por cento, porque eu estava fazendo um trabalho diferente do que eu fazia, pois, não era hq infantil, era uma temática diferente, um jeito diferente de contar a história. E era o grande LUIS GÊ!
Aí começou a me incomodar o fato de eu ter que ir todas as noites lá, e tambem pelos próximos 8 finais de semana, segundo ele. Para um recém-casado, não era nada agradável. Era dedicação total mesmo e eu realmente não estava preparado para isso. Depois de uma semana de trabalho, me retirei do projeto. Hoje analiso e vejo que faltou empenho meu e sobrou imaturidade. Reencontrei LUIS GÊ alguns anos depois na Abril Jovem e me desculpei novamente pela mancada. Eu o admirava muito e não queria que ficasse com má impressão de mim. E sinceramente, me arrependo até hoje de nao ter participado do projeto todo.
Mas afinal, qual era esse trabalho? Pois bem. Após NOVE meses de trabalho, onde se gastou tinta, papéis, e sola de sapato, fotografando construções, casas e edifícios, entrevistando pessoas e fazendo pesquisas, saiu na Revista Goodyear |(órgão interno da empresa de pneus, portanto o album não esteve á venda), a Graphic Novel FRAGMENTOS COMPLETOS, contando a história da Avenida Paulista, que fazia 100 anos. É considerado até hoje um dos melhores trabalhos do genial LUIS GÊ. Eu escrevi para a Goodyear e consegui o meu exemplar. É maravilhoso. Para nossa sorte ouvi dizer que será relançado esse ano, só não sei por qual editora. Quem não viu, verá.
Capa da revista Goodyear com a Graphic Novel "FRAGMENTOS COMPLETOS". Saiu em 1991.
Única prancha que ficou comigo, pois não foi aproveitada. É a primeira cena da Graphic Novel . Os tropeiros em Itaquera, em 1889. Traço a lápis sobre Schoeller. Pintura com ecoline. Na sequência, vejam a mesma cena finalizada, no alto da página.
Abaixo, uma das páginas que mais gosto da obra. Vamos aguardar a republicação para esse ano!